Comissões do Senado farão audiência secreta sobre acidente em Alcântara

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 15:58, por: cdb

Na próxima semana, as comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, de Educação e de Fiscalização e Controle do Senado Federal realizam audiência secreta conjunta, na próxima quinta-feira, a partir das 10 horas, para analisar as causas do acidente no Centro de Lançamento de Alcântara (Maranhão), que matou 21 técnicos do Programa Espacial Brasileiro, quando preparavam o lançamento do propulsor de satélites VLS-1, sexta-feira passada.

Foram convidados para participar da reunião os ministros da Defesa, José Viegas, e da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, além do presidente da Agência Espacial Brasileira, Luiz Bevilácqua, e do coordenador da comissão de sindicância criada para investigar as causas do acidente, coronel Antonio Carlos Cerri.

Esta será a primeira reunião especialmente convocada para debater o acidente de Alcântara, embora o assunto já tenha sido discutido nesta semana em Comissões Técnicas Permanentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara discutiu o assunto na quarta-feira, ao lado do debate sobre parcerias com outros países para aprimorar o Programa Espacial Brasileiro.

Um dos requerentes da audiência secreta, o senador Hélio Costa (PMDB-MG), anunciou que vai indagar aos ministros e autoridades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro se a explosão pode ter resultado de “interferências eletrônicas vindas de navios estrangeiros ancorados na Baía de São Marcos, que fica próxima ao Centro de Lançamento de Alcântara”.

Ele disse que essa possibilidade não pode ser descartada, porque já foi levantada quando ocorreu o primeiro acidente na base de Alcântara, em 1997. Mesmo considerando que a causa do acidente pode ter sido a ignição extemporânea de um dos motores do foguete, Hélio Costa lembrou que motores não entram em funcionamento por “combustão espontânea”, pois precisam ser acionados.

— O que ocorreu então? Esta é a questão que precisa e deve ser respondida pelas autoridades espaciais brasileiras — disse o senador.