Comissão irá periciar área indígena no MS

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Publicado quinta-feira, 28 de agosto de 2003 as 13:47, por: cdb

A reunião para resolver o conflito entre indígenas e ruralistas na reserva Buriti, em Sidrolândia, teve momentos tensos nesta quinta-feira em Campo Grande (MS). O presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul), Leôncio Britto, e o chefe do posto da Funai, Jorge Antônio das Neves, bateram boca durante a reunião.

O ruralista acusou Neves de insuflar os índios. Em resposta, ele negou e argumentou que agia pelo interesse dos índios, enquanto Britto estaria defendendo interesse de um irmão que tem fazenda na região. Brito disse que não pretendia ir a nenhum funeral, nem de índios e nem de produtores.

O juiz federal Odilon de Oliveira disse hoje que representantes dos índios terena, produtores rurais, governo estadual e Procuradoria da República devem definir até a próxima terça-feira quem vai integrar a comissão responsável por refazer perícias técnicas na região da reserva indígena em questão.

De acordo com Oliveira, o objetivo da comissão será definir se as áreas reivindicadas pelos indígenas, onde estão instaladas propriedades particulares, são mesmo território terena. Com a participação de todos os setores, diz o magistrado, não haveria necessidade de questionamentos judiciais em relação ao trabalho, como vem sendo feito com o levantamento antropológico da região produzido por Gilberto Azanha.

O procurador da República Wilson Rocha de Almeida Neto, representante do Ministério Público Federal, reagiu e destacou a lisura do trabalho feito por Azanha. Segundo ele, não há base suficiente para questionar o laudo. Wilson Neto disse ainda que vai acompanhar os trabalhos na região de Sidrolândia, visando encontrar uma solução pacífica ao conflito entre índios e fazendeiros.

A situação ficou tensa na reserva Buriti depois que a Funai apresentou um laudo antropológico apontando que a reserva teria 17 mil hectares, incluindo áreas particulares. Até hoje não houve definição a respeito da demarcação, porque os fazendeiros entraram na Justiça Federal com recurso contestando os dados do laudo.

A área total invadida é de 10 mil hectares e o motivo da ação dos indígenas seria a insatisfação acumulada pelo confinamento de 3,3 mil índios em 2090 hectares.