Começam patrulhas da força de paz, enquanto Taylor mantém suspense

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Publicado quinta-feira, 7 de agosto de 2003 as 10:43, por: cdb

Os soldados da missão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) na Libéria desde o último dia 4 começaram a fazer patrulhas em Monróvia nesta quinta-feira, enquanto o presidente Charles Taylor mantém o suspense sobre sua saída da Libéria.

Os soldados “estão chegando à cidade e começam a patrulhar”, declarou à AFP por telefone o comandante da Cedeao, o general nigeriano Festus Okonkwo.

O presidente liberiano Charles Taylor, por sua vez, não falará esta quinta-feira aos deputados e senadores, como estava previsto, para informá-los de sua intenção de abandonar o poder, anunciou à AFP seu porta-voz, Vanil Passewe.

“Não irá à sede do Parlamento, mas os legisladores se reunirão”, declarou Passewe.

Na véspera, o secretário-executivo da Cedeao, Mohamed Ibn Chambas, havia anunciado que Taylor se reuniria esta quinta-feira em sessão conjunta “para informá-los de sua intenção de renunciar”.

O presidente norte-americano George W. Bush fixou uma série de condições para a intervenção norte-americana, em primeiro lugar a saída de Taylor. Este tinha prometido então abandonar o poder no próximo dia 11 de agosto, o que alimenta o suspense sobre sua partida da Libéria.

Os soldados da paz, que dispõem de alguns veículos com a parte dianteira blindada, farão patrulhamentos móveis, mas em princípio não instalarão postos de controle, fixando base no único setor de Monróvia controlado pelas forças do presidente Charles Taylor, segundo a Cedeao.

De acordo com o general Okonkwo, as patrulhas no setor rebelde não serão iniciados antes da próxima semana.

Desde meados de julho, Monróvia sofre com os intensos combates entre os rebeldes dos Liberianos Unidos para a Reconciliação e a Democracia (Lurd) e os homens leais ao presidente Charle Taylor.

Os combates apresentaram um balanço de centenas de mortos e cerca de 250.000 deslocados, que sobrevivem em condições deploráveis.

Desde a chegada dos primeiros soldados da Cedeao, os confrontos com armas pesadas cessaram, mas continuam os disparos esporádicos, principalmente em torno das duas pontes que separam as zonas controladas pelos Lurd das forças de Taylor.

Os Estados Unidos, por sua vez, anunciaram o envio de uma equipe de enlace militar para a Libéria, que chegou ontem, segundo fontes americanas na Libéria, abrindo caminho assim a uma eventual intervenção norte-americana.

A equipe estará encarregada de preparar um desembarque de tropas se o presidente americano George W. Bush der a ordem para isso após a partida de Taylor.

A Nigéria, que se ofereceu para recebê-lo, informou que Taylor não deixará a Libéria enquanto não for levantada a acusação de crimes de guerra contra a humanidade em Serra Leoa, proferida por um tribunal especial desse país.

Os advogados liberianos ante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) alegam que a ata de acusação e a ordem de prisão determinada pelo tribunal violam os princípios do direito internacional.