Começa Cúpula da Ásia

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Publicado domingo, 4 de janeiro de 2004 as 11:19, por: cdb

Os governantes dos sete países da Associação para a Cooperação Regional do Sul da Ásia (Saarc) iniciaram a XII Cúpula da organização em Islamabad, com a cidade isolada por rígidas medidas de segurança.

Depois do fracasso dos dois atentados sofridos em dezembro pelo presidente paquistanês, o general Pervez Musharraf, a Polícia, o Exército e os serviços secretos cercaram Islamabad e dez mil agentes e soldados foram mobilizados na cidade e em seus arredores para garantir a segurança do encontro.

Na abertura da Cúpula, o primeiro-ministro paquistanês, Mir Zarafullah Khan Jamali, defendeu a “criação de um ambiente político de paz e estabilidade” na região como requisito para “uma forte integração econômica”, um dos objetivos do encontro.

“As divergências e disputas atrasaram as perspectivas de uma cooperação econômica real no Sul da Ásia”, insistiu Jamali, em referência implícita à Índia sobre a abertura de negociações políticas que permitam solucionar conflitos como a disputa territorial pela Caxemira.

A Caxemira é uma região do Himalaia de maioria muçulmana que ficou em parte sob controle indiano depois da divisão do Paquistão e da Índia após a independência de ambos do Reino Unido, em 1947, e foi motivo de duas das três guerras entre as os dois países desde então.

Por sua parte, o primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, disse que o sul da Ásia, uma das regiões mais pobres da Terra, deve “mudar sua imagem e se levantar diante do mundo”.

Em aparente resposta às palavras de Jamali, Vajpayee afirmou que os sete países do grupo “devem passar da desconfiança para a confiança, da discórdia para a concórdia e da tensão para a paz”.

“A racionalidade da economia triunfará sobre os preconceitos políticos”, acrescentou Vajpayee, para quem a Saarc deve se esforçar na aplicação do Acordo de Livre Comércio no Sul da Ásia (Safta), que será aprovado nesta Cúpula e deve entrar em vigor em primeiro de janeiro do 2006.

Antes de viajar, ontem, para a Islamabad, Vajpayee disse em Nova Délhi que durante seus quatro dias na capital paquistanesa não teria conversas bilaterais sobre assuntos políticos com as autoridades do país, pois dedicaria todo o tempo a assegurar “que a Cúpula da Saarc fosse um sucesso”.

No entanto, em entrevista à televisão paquistanesa exibida hoje, o governante indiano, o único que não tem uma encontro privado previsto com o presidente do Paquistão durante a Cúpula, disse: “Acho que devo ter algumas conversas com o senhor Musharraf” sobre a questão de Caxemira, mas não disse quando.

Depois dos chefes de governo da Índia e do Paquistão, discursaram na Cúpula os primeiros-ministros de Nepal, Surya Bahadur Thapa; do Butão, Lionopo Yigmi; a primeira-ministra de Bangladesh, Jaleda Zia; a presidente do Sri Lanka, Chandrika Kumaratunga; e o presidente das Maldivas, Mamum Abdul Gayum.

Os sete países formam uma das zonas mais pobres do mundo, têm mais de 1,4 bilhão de habitantes, uma área conjunta de 5.140.000 quilômetros quadrados, um Produto Interno Bruto (PIB) total de 618 bilhões de dólares e uma renda anual por habitante de 450 dólares, segundo dados da organização.

O tema central da Cúpula será a aprovação do Acordo de Livre Comércio no Sul da Ásia, acrescido de um acordo social para arbitrar medidas comuns a fim de erradicar a pobreza na região.

Os governantes também discutirão a possibilidade de criar uma divisa comum para os sete países, similar ao euro na União Européia, plano proposto pela Índia, que terá de esperar “vários anos” segundo os especialistas.

Outro texto que será estudado pelos sete governantes nestes dias é um Protocolo sobre Terrorismo, visando a bloquear nestes países os recursos dessas organizações e chegar a um acordo sobre a definição do fenômeno.