Comandante do exército apóia Chávez

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Publicado terça-feira, 17 de dezembro de 2002 as 13:23, por: cdb

As esperanças da oposição venezuelana de que os militares desobedeçam ao presidente Hugo Chávez se desvaneceram depois que o comandante do Exército, general Julio García Montoya, manifestou apoio ao chefe de Estado. Em sua mensagem ao país, García Montoya criticou a greve geral organizada pela oposição, classificando-a de um ato de “irresponsabilidade social e política”.

O general afirmou, também, que a instituição militar está disposta a impedir que prospere “essa aposta no colapso econômico e social da nação”.

Já em Washington, reunidos na noite de segunda-feira, os membros do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovaram uma resolução sobre a situação da Venezuela, manifestando seu respaldo à instituição democrática e à gestão do secretário-geral César Gaviria na facilitação do diálogo entre as partes.

O pronunciamento, divulgado após quase 30 horas de sessões ao longo de três dias, admite a possibilidade de abertura de outros canais no sistema interamericano para lidar com a crise, como uma reunião de chanceleres.

O embaixador da Venezuela, Jorge Valero, destacou o fato de que a OEA não saiu dividida do debate.

“Alcançamos consenso sobre a forma de nos aproximarmos da verdade”, disse. “Esse foro deu nova mostra de grandeza com um debate e uma conclusão histórica”.

Pedro Nikken, membro da Coordenação Democrática, que agrupa as frentes de oposição na Venezuela, disse que estava satisfeito com a resolução e que daqui para frente ficará mais intensa a busca para encontrar “soluções para a crise política”.

A resolução rechaça categoricamente qualquer tentativa de golpe de Estado ou de alteração da ordem constitucional.

O documento respalda ainda as gestões de Gaviria na facilitação do diálogo entre o governo e a Coordenação Democrática e pede às partes que negociem de boa fé para alcançar uma “solução constitucional, democrática, pacífica e eleitoral”.

Na segunda-feira, a oposição estendeu pelo décimo sexto dia a “paralisação cívica” pela renúncia do presidente Chávez e a convocação imediata de eleições.

Carlos Ortega, o presidente da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV), uma das organizações que lideram o protesto, disse que “a paralisação cívica nacional continua com força e combatividade”.

A greve geral, iniciada em 2 de dezembro, praticamente imobilizou a indústria petrolífera do quinto maior exportador de óleo cru do mundo, acentuando a alta do preço do produto no mercado internacional.