Colin Powell inicia missão “impossível” no Oriente Médio

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 11 de abril de 2002 as 14:39, por: cdb

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, chegou nesta quinta-feira ao Oriente Médio em uma difícil missão de paz, horas após as forças israelenses terem invadido mais duas cidades na Cisjodânia e iniciado a retirada de 23 vilarejos palestinos. Powell desembarcou na Jordânia, para uma breve visita ao rei Abdullah, após a qual viajará a Jerusalém. O secretário se reunirá com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, na sexta-feira, e com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, no dia seguinte, com a expectativa de negociar um cessar-fogo.

Pela manhã, ainda em Madrid, Powell revelou ter conversado por telefone com Sharon. “A missão prossegue”, afirmou o secretário na capital espanhola. “Não estou preocupado. Quero ter a oportunidade de me encontrar com o primeiro-ministro Sharon e com o presidente Arafat”.

“Em minha conversa desta manhã com o primeiro-ministro Sharon, falamos sobre minha reunião com o presidente palestino e estou ansioso para realizar essas consultas”, afirmou. Em Madrid, o secretário norte-americano manteve conversações com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, de quem recebeu apoio oficial para sua missão no Oriente Médio.

As conversações com Arafat acontecerão em Ramallah, na Cisjordânia, onde o líder palestino está confinado e cercado por soldados e tanques israelenses há duas semanas. Uma fonte do governo israelense revelou que Sharon concordou em que Powell mantivesse conversações com Arafat, embora tivesse classificado essa reunião de “um erro trágico”. A fonte acrescentou que os soldados israelenses que cercam o prédio de Arafat recuarão para permitir o acesso de Powell ao local.

Incursões em duas cidades palestinas
Ainda nesta quinta-feira e horas depois de se retirar de mais de 20 aldeias na Cisjordânia, soldados das Forças de Defesa de Israel, apoiados por tanques, entraram de madrugada na cidade universitária palestina de Bir Zeit e em Daharyeh, perto de Hebron. Não houve combates de imediato nas duas cidades, onde, segundo um comunicado militar, o objetivo é localizar e prender suspeitos de terrorismo e confiscar armas.

Na noite de quarta-feira, forças israelenses haviam entrado no campo de refugiados de Ein Beit El Ma, perto de Nablus, e detiveram cerca de 400 palestinos – alguns armados. Quatro policiais palestinos foram também detidos em Nablus, com uma “considerável quantidade de armas”, segundo as Forças de Defesa de Israel.

As novas incursões seguiram-se a uma retirada israelense de 23 aldeias palestinas, numa decisão elogiada pelo Governo Bush como uma medida na direção certa. Operações militares prosseguem, entretanto, em Jenin, Nablus, Ramallah e Belém, onde a Igreja da Natividade está cercada há mais de uma semana.

A campanha israelense teve início em 29 de março, quando o primeiro-ministro Ariel Sharon anunciou seu objetivo de desenraizar o que chamou de fontes do terror palestino, depois de uma série de atentados a bomba que mataram dezenas de civis israelenses. Líderes do mundo árabe criticaram a operação militar, afirmando que famílias inocentes estavam sofrendo e sendo mortas.