COI toma medalha do campeão húngaro por doping

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Publicado domingo, 29 de agosto de 2004 as 14:08, por: cdb

O Comitê Olímpico Internacional (COI) desqualificou neste domingo, o húngaro Adrian Annus e tomou sua medalha de ouro, conquistada na prova de arremesso de martelo, por se negar, sem uma justificativa válida, a participar de um exame antidoping.

A Comissão Executiva do COI anunciou a expulsão de Annus dos Jogos, sua desqualificação da final do arremesso de martelo do dia 22 de agosto, e a cassação de credenciamento, além de ordenar ao Comitê Olímpico Húngaro que devolva a medalha e o diploma ganho “o mais rapidamente possível”.

A Comissão Executiva do COI, em sua última reunião em Atenas, disse que Annus passou por testes em duas ocasiões durante os Jogos, uma antes da competição e outra depois da final do arremesso de martelo.

“Os dois controles deram negativo”, assinalou o COI, para afirmar que depois encontrou motivos para exigir um novo exame antidoping, e por isso procurou o atleta, primeiro em Atenas e depois na Hungria.

O COI convocou Annus no último dia 27 para que ele fosse submetido a um novo exame antidoping. Ao não se apresentar, o COI aprovou as sanções. O Comitê revelou que uma análise das duas amostras de urina coletadas durante os Jogos mostrou que elas pertenciam a dois atletas diferentes, por isso, afirma o COI, houve uma tentativa de falsificar as provas por parte de Annus.
Para o COI, falsificar um exame constitui em violação do código antidoping. Annus é o sétimo atleta que tem a medalha cassada pelo COI por causa de doping.

Assim, o pódio do arremesso de martelo fica constituído da seguinte maneira: Koji Murofushi (Japão), ouro; Ivan Tikhon (Belarus), prata, e Esref Apak (Turquia), bronze.

A desqualificação de Annus sucede neste domingo à da ciclista colombiana María Luisa Calle Williams, que perdeu a medalha de bronze na corrida por pontos do ciclismo em pista depois de testar positivo para o estimulante “Heptaminol”.

O COI informou que Calle, de 35 anos, foi desqualificada e perdeu a medalha de bronze conseguida no último dia 25. Assim, a medalha passa para as mãos da americana Erin Mirabella, quarta na prova. Durante a audiência diante da Comissão Disciplinar do COI, a ciclista negou “categoricamente” ter tomado a mencionada substância proibida, disse o organismo.

Por seu lado, a delegação colombiana sustentou que, como parte de seu próprio programa antidoping fora da competição, o Comitê Olímpico Colombiano havia feito testes com a corredora e obteve resultado negativo.

A Comissão rejeitou o argumento colombiano, de que a análise positiva se devia à biotransformação de uma substância não proibida, tese à qual o COI respondeu que, mesmo nesse caso, a fiabilidade do exame não é alterada.

O Comitê Executivo do COI decidiu pela desqualificação de Calle e ordenou ao Comitê Olímpico Colombiano que devolva “o mais rápido possível” o bronze e o diploma que a corredora recebeu.

María Luisa Calle tinha dado a segunda medalha dos Jogos de Atenas a Colômbia -a anterior, também de bronze, foi de Mabel Mosquera na categoria até 53 quilos do halterofilismo- e a primeira no ciclismo em toda sua história.
A colombiana foi terceira com 12 pontos, atrás da russa Olga Slyussareva, ouro com 20, e da mexicana Belém Guerrero, com 14.