Clubes que não mudaram de técnico estão entre os oito melhores

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Publicado segunda-feira, 14 de outubro de 2002 as 23:07, por: cdb

Os números do Campeonato Brasileiro advertem: trocar de técnico durante a competição é prejudicial à equipe.

A poucas rodadas do final da primeira fase, a constatação é inquestionável. Os oito melhores times do nacional permanecem com os seus comandantes desde o início do torneio – ou há mais tempo.

São eles (pela ordem de classificação): São Caetano (Mário Sérgio), Santos (Émerson Leão), São Paulo (Oswaldo de Oliveira), Juventude (Ricardo Gomes), Corinthians (Carlos Alberto Parreira), Guarani (Jair Picerni), Coritiba (Paulo Bonamigo) e Ponte Preta (Osvaldo Alvarez).

“São clubes que agem profissionalmente. Os dirigentes que apostaram no continuísmo estão colhendo os frutos agora”, declara Parreira, à frente do Timão desde dezembro do ano passado.

Entre os melhores do Brasileirão, quem está há mais tempo no cargo é Vadão. Poucos meses após ser demitido do São Paulo, em maio de 2001, o treinador retornou ao Moisés Lucarelli e permanece desde então.

Contratados para o nacional foram Mário Sérgio, Émerson Leão e Jair Picerni. Os demais já dirigiam seus respectivos clubes.

Poucos títulos

Embora o futebol brasileiro seja pautado por resultados, poucos técnicos que lideram o Campeonato Brasileiro deram a tão sonhada volta olímpica. Conquistaram títulos apenas Parreira e Oswaldo de Oliveira.

O tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira, em 1994, levantou os troféus da Copa do Brasil e Torneio Rio-São Paulo. Oswaldo, por sua vez, bateu o Ituano e ficou com o Super Paulistão.

Bonamigo fracassou na Copa Sul-Minas e Campeonato Paranaense (2002); Vadão no Brasileirão (2001), Paulistão e Rio-São Paulo (2002); Ricardo Gomes no Gauchão e Sul-Minas (2002).

“Independente dos resultados, o técnico profissional precisa de tempo e tranqüilidade para mostrar o seu trabalho”, diz o diretor de futebol do tricolor paulista, Carlos Augusto de Barros e Silva.

Leco, como é conhecido, foi além. “Na minha opinião, a mentalidade de mudar o comando a cada revés deve mudar com o tempo”, continuou, sem antes prometer. “O Oswaldo deixa o clube antes do término do seu contrato (junho de 2003) apenas para servir a Seleção”, decretou.

Verdão ruim

Inversamente proporcional à condição das melhores equipes do nacional estão os times que amargam a zona de rebaixamento. Vasco (23º colocado), Goiás (24º), Paysandu (25º) e Palmeiras (26º) trocaram o comando.

O recordista é o Verdão, que entre técnicos e interinos, teve cinco treinadores no banco de reservas: Wanderley Luxemburgo, Paulo César Gusmão (interino), Flávio Teixeira, Karmino Colombini (interino) e Levir Culpi.

“Tanto é que temos um elenco bom, não um (bom) time”, afirma Culpi, se referindo às constantes mudanças no clube e ao fato do time ainda não ter um padrão tático. “Não inspiramos confiança”, completa.

Giba, o mais novo desempregado

O Gama, que ocupa a modestíssima 20ª colocação, demitiu Giba após a derrota para o Corinthians, por 3 x 1, no domingo.

Além do ex-técnico do Jundiaí, Hélio dos Anjos já havia trabalhado em Brasília. Um novo profissional deverá ser anunciado pelos dirigentes nas próximas horas.

Outros clubes que mantêm os técnicos desde o início Brasileirão 2002 (ou há mais tempo):

Atlético-MG: Geninho
Grêmio: Tite
Portuguesa: Edu Marangon
Vitória: Joel Santana

Quem já trocou (e quantas vezes) durante a competição:

Atlético-PR: Riva de Carli, Valdir Espinosa e Gilson Nunes
Bahia: Bobô e Candinho
Botafogo: Arthur Bernardes, Abel Braga e Ivo Wortmann
Cruzeiro: Marco Aurélio, Ney Franco (interino) e Wanderley Luxemburgo
Figueirense: Roberval Davino e Muricy Ramalho
Flamengo: Lula Pereira e Evaristo de Macedo
Fluminense: Robertinho e Renato Gaúcho
Gama: Hélio dos Anjos e Giba (demitido no domingo, dia 13/10)
Goiás: Edinho e Nelsinho Baptista
Internacional: Guto Ferreira e Celso Roth
Palmeiras: Wanderley Luxemburgo, Paulo César Gusmão (interino), Flávio Teixeira, Karmino Colombin