Clonagem de seres humanos começará em mais algumas semanas

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Publicado terça-feira, 7 de agosto de 2001 as 13:24, por: cdb

O médico americano Panos Zavos e seu colega italiano, Severino Antinori, defenderam nesta terça-feira, diante de um painel de cientistas nos Estados Unidos, seu projeto de clonagem de seres humanos.

Os dois afirmaram que planejam começar suas experiências com clonagem humana em poucas semanas, provavelmente em novembro.

Os médicos tentaram convencer um comitê investigativo da NAS (Academia Nacional de Ciências) de que o uso da clonagem para ajudar casais sem filhos a ter um é aceitável tanto cientificamente como eticamente.

Zavos disse aos cientistas que sua equipe informará futuros pacientes que a clonagem envolve riscos.

PERFEIÇÃO NÃO EXISTE

O médico americano afirmou que “não existe algo como perfeição total na área da reprodução humana”.

Zavos e Antinori dividiram a mesa com Brigitte Boisselier, uma bioquímica e membro de um grupo que estuda a vida em outros planetas chamado Raelians.

O grupo, que acredita em extraterrestres e promove a clonagem como uma possibilidade de atingir “vida eterna”, alega já ter iniciado experimentos com clonagem.

Boisselier disse ao painel de cientistas que os Raelians, que possuem uma empresa chamada Clonaid, já realizou a primeira fase de uma clonagem humana – a transferência de material genético humano para um óvulo vazio, permitindo que ele se desenvolva em um embrião.

“Nós temos dados e esperamos poder publicá-los”, disse.

DIREITO DE ESCOLHA

Boisselier afirmou acreditar que um indivíduo tem um direito fundamental de escolher a forma como quer se reproduzir.

“Se você quer se reproduzir por meio de clonagem, isso também é uma escolha sua”, acrescentou. “Você não está produzindo uma pessoa igual a você, está produzindo um gêmeo tardio.”

Especialistas em clonagem animal alertaram que experiências envolvendo seres humanos têm grandes chances de falhar ou gerar bebês com graves anormalidades.

Segundo Rudolf Jaenisch, do Instituto Tecnologia de Massachusetts, apenas de 1% a 5% dos animais clonados sobrevivem.

“Mesmo clones que sobrevivem ao nascimento têm graves anormalidades e morrem (prematuramente) mais tarde”, afirmou Jaenisch.

O painel da NAS está estudando todos os aspectos de clonagem – como forma de desenvolver novas terapias e melhorar a qualidade de animais usados na pecuária.

RELATÓRIO

A academia americana planeja produzir um relatório para a discussão pública sobre o assunto até o final do ano.

Até lá, os médicos Zavos e Antinori esperam já ter iniciado seu programa de clonagem humana.

“Nós estamos analisando 200 casais”, disse Zavos. “Isso não significa que os 200 casais serão clonados imediatamente. Nós começaremos com o primeiro e devemos terminar com o número 200, mas isso tudo não vai acontecer em novembro.”

Severino Antinori viajou para Washington depois de ser alertado pelo vice-presidente da Associação Médica de Roma de que ele poderia ser proibido de exercer a sua profissão no país se continuasse com seu projeto de clonagem.

Na Itália, essas experiências médicas só são permitidas para a prevenção e correção de problemas médicos. A clonagem humana também foi proibida por uma convenção do Conselho da Europa, que passou a ter efeito em março.