Clima: avanços em Doha se devem à diplomacia brasileira

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 as 11:13, por: cdb

Pode não ter sido o acordo ideal mas, por enquanto, vamos com calma: a conferência do clima da ONU – a COP-18 – terminou no fim de semana (ontem) em Doha, no Qatar, com a aprovação da extensão da vigência do Protocolo de Kyoto, que expiraria no fim deste ano, e agora vai vigorar até 2020.

Na verdade, justiça seja feita, o êxito nesta conferência de clima realizada no Oriente Médio é fruto da ação da diplomacia brasileira. A conferencia de Doha tinha tudo para não dar em nada. Pois, ao contrário, avançou. Não só com essa prorrogação do Protocolo de Kyoto como, também, com a determinação aos países ricos de que devem financiar as medidas ambientais nos países pobres, uma compensação aos danos pelos quais eles são responsáveis historicamente tanto em seus territórios quanto nos de suas colônias.

A prorrogação de Kyoto por mais oito anos mantém vivo o único pacto já firmado entre as nações do planeta para a redução das emissões de gases-estufa. Dai o seu efeito positivo. Agora, a questão nem é se queixar, mas há uma situação que merece reflexão: apesar do resultado, a aprovação de um segundo período para Kyoto é mais um ato simbólico, já que com as deserções de Rússia, Canadá e Japão, os atuais signatários do pacto respondem por apenas 15% das emissões mundiais de gases-estufa.

Que papelão de russos, canadenses e japoneses, hein! A conferência estabeleceu, também, pela primeira vez que as nações ricas devem começar a compensar as pobres por perdas em consequência das mudanças climáticas. O texto final “sugere” que os países ricos viabilizem pelo menos US$ 10 bi ao ano entre 2015 e 2020 (quando um novo acordo global para o clima deve entrar em vigor, espera-se), para compensações pelos efeitos das mudanças climáticas.