Clérigo radical xiita apóia plano de paz com sunitas

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Publicado sábado, 26 de maio de 2007 as 11:37, por: cdb

O clérigo xiita radical Moqtada Sadr manifestou nesta sexta-feira apoio a um acordo de paz com facções sunitas em uma tentativa de acabar com a violência sectária no Iraque. Durante as preces desta sexta-feira, Sadr reapareceu em público no Iraque pela primeira vez em meses.

Em um sermão em uma mesquita na cidade de Kufa, ele criticou os Estados Unidos e disse que seus seguidores iriam cooperar com os sunitas contra a ocupação americana no Iraque.

– Eu digo aos nossos irmãos sunitas no Iraque que nós somos irmãos e os ocupantes nos dividiram para enfraquecer o povo iraquano. Na unidade está a força, e na divisão está a fraqueza. Nós dizemos a eles, sejam bem-vindos a qualquer momento. Eu estou pronto para cooperar com eles em todos os níveis. Essa é a mão que eu estendo a eles – disse Sadr.

Um dos principais assessores de Sadr, Abd al-Mahdi Al-Mutairi, disse que membros do grupo mantiveram encontros com líderes moderados sunitas.

– Nós queremos um Iraque unido e democrático. Nós assinamos com eles (os grupos sunitas) um compromisso que esperamos seja o núcleo de acordos futuros com outros irmãos, sejam sunitas ou curdos.

O vice-presidente do Iraque, Tarek al-Hashimi, que é sunita, elogiou as declarações de Sadr, descrito por ele como “o mais influente líder do Exército Mehdi (milícia comandada pelo clérigo)”.

No entanto, Al-Hashimi manifestou dúvidas sobre a habilidade de Sadr em controlar todos os membros da milícia xiita.

“Discurso de paz”

Os seguidores de Sadr nem sempre tiveram esse discurso de paz e cooperação.

O Exército Mehdi foi responsável por violência sectária e ataques fatais no país e se tornou alvo das forças de segurança lideradas pelos Estados Unidos.

No entanto, quando os Estados Unidos começaram implementar seu novo plano de segurança para Bagdá, em fevereiro, Sadr ordenou que seus militantes se retirassem das ruas para evitar confrontos.

Durante o período em que se manteve afastado do Iraque, por razões de segurança, Sadr retirou do governo iraquiano seis ministros leais a ele com o objetivo de pressionar o primeiro-ministro do país, Nouri Maliki, a estabelecer um plano de retirada das tropas americanas.

Nesta sexta-feira, ao comandar as preces diante de 6 mil fiéis, Sadr entoava: “Não, não ao Satã. Não, não aos Estados Unidos. Não, não à ocupação. Não, não a Israel”.

No entanto, o clérigo de 33 anos pediu que os fiéis usassem meios pacíficos de oposição.

Uma personalidade que mistura nacionalismo e populismo tornou Sadr muito popular entre os muçulmanos xiitas no Iraque.

Acredita-se que ele tenha retornado ao país, após meses de afastamento, para tentar retomar o controle sobre o Exército Mehdi, que estaria cada vez mais fragmentado.

Alguns analistas afirmam ainda que Sadr pode aproveitar a ausência de seu grande rival xiita, Abdul Aziz Hakim – que deixou o país para se submeter a um tratamento médico -, para fortalecer sua posição no Iraque.