Cirurgiões faziam operações complexas na era medieval

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Publicado quarta-feira, 6 de outubro de 2004 as 14:39, por: cdb

Cirurgiões realizavam complexas operações no crânio de pacientes na era medieval, de acordo com o que mostram restos de um esqueleto encontrado em um sítio arqueológico.

O crânio de um agricultor de 40 anos, que viveu entre os anos 960 e 1100, é a evidência mais concreta da prática desse tipo de cirurgia, segundo os arqueólogos que encontraram a ossada.

Os despojos, encontrados em Yorkshire, na Inglaterra, mostram que o paciente sobreviveu a um golpe fatal na cabeça graças à cirurgia.

O crânio submetido a uma cirurgia havia sido golpeado com uma arma, o que causou uma fratura grave em seu lado esquerdo.

Fragmentos removidos

Uma área retangular do crânio, medindo 9 centímetros por 10 centímetros, foi cuidadosamente levantada na cirurgia que se seguiu, para permitir que fragmentos de ossos que afundaram na fratura fossem removidos.

Isto teria aliviado a pressão no cérebro.

O crânio do agricultor de Yorkshire mostra que a fratura estava se recuperando bem.

Os cientistas acreditam que o buraco remanescente teria, eventualmente, sido coberto com o desenvolvimento tecido apropriado.

Mas eles têm dúvidas sobre como o agricultor teria podido pagar por este complexo tratamento médico.

Simon Mays, biólogo do Patrimônio da Inglaterra, disse que tratamentos médicos eram reservados principalmente para a elite.

“Parece ser provável que a operação foi realizada por um curandeiro itinerante com habilidades pouco comuns, cujos conhecimentos foram passados através de tradição oral”, disse Mays.

Desnutrição

Documentos gregos e romanos mencionavam a técnica cirúrgica para o tratamento de fraturas, mas não havia nada sobre isso na literatura anglo-saxônica.

Alguns historiadores acreditam que a Europa ocidental foi privada de tais conhecimentos por séculos depois da queda de Alexandria, no Egito, no século 7.

Quase 700 esqueletos foram encontrados por arqueólogos no hoje deserto vilarejo de Wharram Percy, no interior da Grã-Bretanha.

Exames de outras ossadas no sítio arqueológico revelaram a existência de alto grau de desnutrição, doenças e crescimento prejudicado.

No passado, Wharram Percy foi uma comunidade ativa cresceu com fazendas de gado ovino, mas entrou em rápido declínio depois da “peste negra” e acabou completamente abandonada.