Ciro Gomes e Thomaz Bastos devem ser ministros

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Publicado sábado, 30 de novembro de 2002 as 15:00, por: cdb

Nas anotações que diz manter em segredo, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, tem seis nomes que deverão compor o ministério, além de três outros já decididos em definitivo.

Os seis prováveis ministros são o advogado Márcio Thomaz Bastos (Justiça), o ex-presidenciável do PPS, Ciro Gomes, o dirigente empresarial Roberto Rodrigues (Agricultura), a senadora Marina Silva (Meio Ambiente), o deputado federal Jaques Wagner (Trabalho) e o ex-deputado federal Luiz Gushiken (Comunicação de Governo).

As três pastas definidas são: Casa Civil, que será do presidente do PT, o deputado federal José Dirceu (SP); Fazenda, que será do coordenador da equipe de transição, Antônio Palocci Filho, devido à preferência do senador eleito Aloizio Mercadante (PT-SP) pelo Congresso, e Educação, que será do senador eleito Cristovam Buarque (PT-DF)

Advogado de Lula há anos, Thomaz Bastos já não demonstra mais a mesma resistência ao cargo de ministro da Justiça. Esteve com Lula nos últimos dias para discutir o formato e as propostas da pasta. Lula disse a auxiliares que o advogado será seu ministro.

Apesar da dúvida sobre a conveniência de nomear para ministro um candidato que derrotou nas urnas, a tendência de Lula é colocar Ciro Gomes (PPS) na Previdência. O presidente eleito acha que Ciro foi generoso ao lhe dar apoio no segundo turno, não criando, por exemplo, as mesmas dificuldades que o ex-governador Anthony Garotinho (PSB).

Para contentar um setor ao qual pretende dar mais impulso exportador, o presidente eleito deve nomear Roberto Rodrigues, presidente da Abag (Associação Brasileira de Agrobusiness), para a Agricultura.

A fim de atender à região amazônica, às ONGs ambientais e ao governador Jorge Viana (PT-AC), Lula deverá nomear a senadora Marina Silva (PT-AC) para o Meio Ambiente. Ele acha que será um símbolo para o ministério, por ser uma mulher de origem humilde, combativa e bem vista internacionalmente.

Com um desempenho surpreendente na eleição baiana, o deputado federal Jaques Wagner (PT-BA) deverá ser o ministro do Trabalho. Sindicalista, moderado e amigo de Lula, é uma pessoa próxima ao presidente eleito.

Coordenador-adjunto da equipe de transição, o ex-deputado Luiz Gushiken é um dos auxiliares mais ligados a Lula. O presidente eleito deseja que ele comande uma área que julga um campo minado: a Secretaria de Comunicação de Governo. A pasta, que tem status de ministério, cuida da publicidade federal, alvo dos interesses dos veículos de comunicação e das agências de publicidade.

Bem cotados

Na lista de Lula há ainda um bloco de bem cotados. Governador do Rio Grande do Sul e petista com trânsito na esquerda do partido, Olívio Dutra é cotadíssimo para os Transportes. O embaixador Celso Amorim, que esteve com Lula ontem, é nome forte para as Relações Exteriores.

Lula quer o seu vice, o senador José Alencar (PL-MG), e o cardiologista Adib Jatene no ministério. Mas existem obstáculos.

Alencar, um grande empresário, teme ser alvo fácil no Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O vice de Lula pode indicar o futuro ministro.
Parte da ala de médicos do PT resiste bastante ao retorno de Jatene à Saúde -ele ocupou a pasta no início do governo FHC. Por isso, cresceu a cotação do médico Humberto Costa, do PT pernambucano, para o posto.

Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Sepúlveda Pertence é cotado para a pasta da Defesa e para a AGU (Advocacia Geral da União). Pertence já se colocou à disposição do presidente eleito, que avalia, porém, se vale a pena perder um aliado antigo no STF. Os dois são amigos. Em 1998, quando hesitou a respeito da candidatura presidencial, Lula pensou em lançar Pertence para concorrer contra FHC.

Para a Secretaria Geral da Presidência, há dois nomes fortes. O deputado federal José Genoino, que perdeu a eleição para o governo paulista, e Luiz Dulci, secretário geral do PT. Cresceu a cotação de Dulci para o posto. E Genoino poderia presidir o PT.