Ciro Gomes defende que Governo do Rio negocie royalties no Senado

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Publicado sexta-feira, 12 de março de 2010 as 22:10, por: cdb

Na opinião do deputado federal, Ciro Gomes (PSB-CE) – que é pré-candidato à Presidência da República – será um erro estratégico do governo do Rio de Janeiro confiar no veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a emenda Ibsen aprovada pela Câmara, que altera a distribuição dos royalties do petróleo.    

“É um erro grave. Eu acho que ele tem que negociar em outros termos, porque ele andou atacando pessoas que eram aliadas dele, ele andou atacando as instituições. E lá no Ceará a gente aprende desde pequenininho que quem quer pegar galinha não diz xô”, avaliou.

O deputado lembrou que houve uma negociação PT-PMDB, por parte do Rio com o governo federal, esquecendo uma maioria esmagadora do Congresso que não é do Rio de Janeiro. Segundo o Ciro Gomes, o governador do Rio foi “inábil”. 

“O governador Sérgio Cabral, meu estimado amigo, chorar?”, comentou o deputado, referindo-se à reação do governador do Rio com a derrota na Câmara. “Paciência, Serginho, muda de ramo. Não é bem assim. Tem que organizar um diálogo. Ele próprio, Sérgio, foi muito inábil na [negociação] preliminar”, afirmou.

Para Ciro Gomes, a emenda Ibsen é um “exagero”, que pode ser consertado no Senado. “É preciso construir uma saída e ela é perfeitamente viável no Senado. Porque, se for nessa base de protesto e confusão, e ‘esculhambar’ a Câmara e o Senado, [o estado do Rio] perde. O Lula não vai vetar, porque ele iria ficar contra o conjunto do país”, analisou.

Ciro se disse a favor da redistribuição do novo royalty, derivado do pré-sal, mas considerou o resultado da emenda uma sequela de uma discussão “vazia” na Câmara. 

“O royalty do petróleo retroagindo, prejudicando o Rio de Janeiro, é uma consequência desse vazio de debate, desse vazio de responsabilidade que tomou conta da coalisão que controla a Câmara hoje”, criticou o deputado, que se absteve do voto para a emenda Ibsen.