Círculo a Bagdá se fecha mais um pouco

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 8 de abril de 2003 as 16:28, por: cdb

O círculo de assédio sobre a capital iraquiana se fechou mais um pouco nesta terça-feira, no qual três jornalistas morreram em diferentes incidentes causados por disparos das forças dos Estados Unidos.

As forças anglo-americanas atacam a cidade por três frentes distintas, norte, sudeste e centro, em uma parte do bairro de Karj, onde se concentram e desde onde dirigem seus ataques para a outra margem do rio, onde se foram retirando as forças de defesa e se estabeleceu a administração iraquiana.

Os atacantes dominaram nesta terça-feira uma nova pista aérea, o aeroporto militar de Al Rachid, no sudeste, cerca de cinco quilômetros do centro, onde não encontraram resistência.

No entanto, foram surpreendidos no maior aeroporto da capital, chamado de Saddam Hussein e passaram a chamar “Aeroporto Internacional de Bagdá”.

Ali – segundo disseram fontes americanos no Catar – um avião A-10 Warthog foi derrubado por um míssil iraquiano, embora o piloto pôde ser resgatado.

Dois tanques das forças invasoras se deixaram ver nesta terça-feira, inclusive numa das pontes sobre o rio Tigre, junto ao Palácio Presidencial de Yumhuriya, em pleno centro da cidade, e dali voltaram a desaparecer, como já fizeram na manhã da última segunda-feira (7).

Segundo disseram fontes militares americanas, a resistência nos diversos bairros não foi senão esporádica e protagonizada por pequenos grupos de homens com armas leves.

No entanto, o ministro de Informação, Mohamed Said Al Sahaf, em uma visita ao Hotel Palestina após ser atingido pelo disparo de um tanque que matou dois jornalistas, mostrou-se desafiante.

“Vão ter que se render (os americanos) ou os queimaremos em seus tanques. Vamos amassar, destroçar eles”, disse, mas não quis responder a uma pergunta sobre se já era o momento para que o regime de Bagdá se rendesse.

O Ministério que encabeça Al Sahaf foi inutilizado, segundo testemunhas, e a rádio e a televisão iraquiana têm cada vez mais problemas para transmitir com normalidade: o sinal de rádio se perdeu nesta terça-feira momentaneamente e a televisão esteve várias horas com programação desnecessária, sem que aparecessem imagens ao vivo.

Por outro lado, os hospitais de Bagdá não dão conta, como reconheceu nesta terça-feira o diretor do Hospital Al Kindi, o maior no norte de Bagdá, que só se identificou como Kamal e que disse que não param de chegar feridos com todo tipo de lesões, multilações nas extremidades, ferimentos no abdômen e cabeça e fraturas múltiplas.

“Não precisamos ajuda de ninguém; o único que necessitamos é que parem isto de uma vez. É nossa gente, amanhã pode ser meu irmão ou eu mesmo”, queixou-se, e garantiu que os atacantes anglo-americanos disparam contra civis em numerosos bairros, entre os que citou Badalia, Magdariya e Nahda.

No hospital, o sangue é onipresente. Há enormes manchas pelo solo, e os aventais de médicos e enfermeiras já não são brancos. Cada cinco minutos novos feridos são internados, alguns parecem cadáveres, e os médicos têm que atender a quatro ou cinco feridos ao mesmo tempo.

Dias atrás, o responsável pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Bagdá, o francês Roland Hugueguin, disse que os hospitais começam a sofrer uma situação de emergência por carecer de material cirúrgico e de anestesia, além de ter graves problemas de abastecimento de água.

Quanto ao destino de Saddam, continua sem saber se tiveram algum resultado efetivo os bombardeios lançados na noite da última segunda-feira (7) sobre um edifício do bairro de Al Mansur onde supostamente estava reunido o presidente do Iraque com seus colaboradores.