Cinegrafista húngara diz que se arrepende de ter chutado imigrantes

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Publicado sexta-feira, 11 de setembro de 2015 as 10:56, por: cdb

Por Redação, com Reuters – de Budapeste:

A cinegrafista húngara Petra Laszlo, que chutou e derrubou refugiados quando fugiam da polícia esta semana, disse que, como mãe, está arrependida de suas ações e agiu em momento de pânico.

Ao mesmo tempo, a polícia húngara afirmou tê-la interrogado nesta quinta-feira como suspeita, depois que promotores ordenaram uma investigação do caso por conduta desordeira.

migrante com criança cai no chão após ser chutado pela cinegrafista húngara Petra Laszlo
migrante com criança cai no chão após ser chutado pela cinegrafista húngara Petra Laszlo

A cinegrafista foi demitida na terça-feira do canal de notícias N1TV, também conhecido como Nemzeti TV, depois que vídeos de suas ações se espalharam na mídia e na Internet. Vídeos separados mostram Petra chutando uma menina e fazendo tropeçar um homem que carregava uma criança no colo, num momento em que centenas de estrangeiros, muitos deles refugiados sírios, fugiam da polícia na fronteira sul da Hungria com a Sérvia.

– Sinceramente, eu me arrependo do que aconteceu… Estou praticamente em choque com o que fiz, e o que foi feito comigo – escreveu Petra em carta publicada no site do jornal Magyar Nemzet.

Ela disse que entrou em pânico quando centenas de imigrantes começaram a correr em sua direção, e quis se proteger. “Não sou uma cinegrafista racista sem coração que chutaria crianças… sou uma mulher, uma mãe com filhos pequenos, que depois perdeu o emprego, e que tomou uma má decisão em pânico”, acrescentou.

O governo de direita da Hungria assumiu uma posição linha-dura em relação ao fluxo de imigrantes através das suas fronteiras, a caminho da Europa Ocidental, retratando-os como uma ameaça para a prosperidade da Europa e os “valores cristãos”.

A Hungria registrou este ano a passagem de mais de 170 mil refugiados, muitos deles fugindo de conflitos no Oriente Médio.

A polícia vem tentando cercá-los e registrá-los, em conformidade com as regras da União Europeia, mas muitos recusam, temendo serem forçados a ficar na Hungria, em vez de passar para a Alemanha ou a Suécia.