Cinco mil crianças brasileiras foram adotas por casais italianos

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Publicado sábado, 24 de maio de 2003 as 10:35, por: cdb

Nas últimas duas décadas, mais de 12 mil crianças brasileiras foram adotadas por famílias estrangeiras. Os casais italianos encabeçam a lista dos que procuram crianças para adotar. Eles foram responsáveis pela adoção de aproximadamente 5 mil menores nos últimos dez anos.

Para a coordenadora da Autoridade Central, órgão vinculado à secretaria Especial dos Direitos Humanos, que cuida da adoção internacional no país, Patrícia Lamego, a proximidade entre Brasil e Itália estimula a procura.

– Talvez os laços culturais e pelas características físicas da população haja uma identificação. Nós somos para a Itália, o país número um em termos de adoção – enfatizou.

Os bebês do sexo feminino são os mais procurados pelos estrangeiros. Entretanto, é mais fácil uma família estrangeira adotar crianças maiores e adolescentes que os casais brasileiros.

– Muitas famílias suecas adotam no exterior, porque contam com incentivos do governo. É mais fácil adotar. Por exemplo, se o casal escolhe uma criança maior que apresenta problemas psicológicos eles têm mais condições de oferecer tratamento adequado para a criança – disse Patrícia Lamego.

Segundo ela, o apoio dos governos internacionais aos casais proporciona a adoção de irmãos.

– Para um casal brasileiro é difícil adotar mais de uma criança, por causa da nossa situação econômica. Nós temos muitos italianos que adotam três crianças ao mesmo tempo, suecos que adotam dois. Para eles é mais fácil, pois contam com incentivos – explica. Em geral, os governos oferecem ajuda às famílias com os custos nas áreas de saúde e educação.

Hoje, para adotar uma criança no Brasil, os estrangeiros têm que comprovar que têm condições financeiras e psicológicas de criá-la. A adoção internacional no país é regulamentada pela Convenção de Haia. O processo demora cerca de um ano. Nos primeiros quatro anos, as famílias devem encaminhar relatório sobre a situação da criança no exterior às autoridades brasileiras. Ao ser adotada, a criança tem direito a cidadania plena no país em que vai morar, mas não perde a cidadania brasileira, podendo retornar ao Brasil.

De acordo com Patrícia Lamego, um dos principais problemas que os estrangeiros enfrentam é a fila de espera – o número de casais que querem adotar é sempre maior que o número de crianças disponíveis. A falta de um censo nacional que revele a quantidade de crianças abandonadas, que estão em abrigos legais e ilegais torna a adoção mais burocrática.

No próximo mês, o Conselho das Autoridades Centrais Brasileiras se reúne para discutir a adoção internacional no Brasil. Uma das pautas de discussão do encontro é como diminuir a burocracia no processo. Para Patrícia Lamego, facilitar o processo é uma forma de estimular a adoção de adolescentes, que em geral, esperam anos em abrigos por um pai e uma mãe. A coordenadora acrescentou que outra preocupação do governo é criar um sistema que impeça o tráfico de crianças e a comercialização delas no exterior.