Cientistas alertam que cidades iraquianos podem estar contaminadas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 7 de maio de 2003 as 18:31, por: cdb

Cientistas iraquianos alertaram, nesta quarta-feira, que pequenas cidades poderiam ser contaminadas por material radioativo roubado de uma instalação nuclear na periferia de Bagdá.

Moradores de comunidades ao redor da instalação de Tuwaitha, a cerca de 10 quilômetros ao sul da capital, contaram ter usado tambores que estavam em um armazém nuclear para guardar água.

Os tambores, segundo os cientistas disseram, continham óxido de urânio, o chamado “yellowcake”, que foi derramado no solo.

Ainda não surgiram relatos de pessoas que tenham adoecido após serem expostas ao material, que é altamente tóxico, quando ingerido, embora libere níveis baixos de radioatividade.

Operários começaram, na última terça-feira (6), a construir barreiras de concreto sobre o óxido de urânio, com o objetivo de evitar seu alastramento.

Os tambores foram retirados da instalação através de uma cerca de arame erguida por inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), em 1991, para armazenar material desprovido de capacidade bélica.

O armazém está localizado a um quilômetro do prédio principal de Tuwaitha, que foi vistoriado várias vezes pelos inspetores das Nações Unidas antes de os Estados Unidos invadirem o Iraque, em março último.

Em volta do armazém existe, além da cerca, apenas um portão com um alerta sobre a existência de material radioativo.

Soldados norte-americanos, dizendo ter detectado níveis altos de radioatividade ao redor dos prédios invadidos, decidiram não entrar no local.

Por sua vez, a Aiea pediu aos Estados Unidos que autorizem o envio de uma equipe técnica da agência, para investigar as condições do material nuclear.

Autoridades norte-americanas já deixaram claro que, no momento, não há função para os inspetores de armas da ONU no Iraque.

Segundo a Aiea, a quantidade de material armazenado em Tuwaitha não é suficiente para uma bomba nuclear. As substâncias, porém, poderiam ser utilizadas em uma “bomba suja”, que mistura explosivos convencionais e radioativos.