Cientista político diz que 11/9 é conseqüência da globalização

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Publicado quinta-feira, 11 de setembro de 2003 as 16:20, por: cdb

“Os atentados de 11 de setembro marcam uma virada histórica e uma tomada de consciência dos efeitos da própria globalização. Na realidade, essa rede terrorista, Al Qaeda, é fruto desse processo”, avalia Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, dois anos após os ataques. Para ele, os atentados contras os EUA não foram só o resultado da política internacional norte-americana, mas também “a conseqüência de uma série de equívocos da Europa e dos membros do Conselho de Segurança da ONU”.

Valladão acredita que o multilateralismo e a regulação internacional possam sair fortalecidos da guerra contra o terror, embora os ataques ao Afeganistão e ao Iraque por tropas norte-americanas tenham enfraquecido os organismos multilaterais. Prova disto, segundo ele, é que agora, os Estados Unidos estão buscando apoio nas Nações Unidas para tentar pacificar essas duas áreas de conflito.

“Hoje a prioridade é definir um quadro multilateral que permita tratar de maneira legítima, dentro da legalidade internacional, o maior desafio à segurança do mundo: o terrorismo global que se prevalece do islamismo para fins políticos. Com a agravante de esses grupos poderem ter acesso
a algum tipo de arma de destruição massiva, biológica, química ou atômica” afirma.

O pesquisador diz que o coração da Al Qaeda é composto por jovens sauditas letrados, frustrados com a falta de horizontes políticos, profissionais e econômicos em sua sociedade, já que a Arábia Saudita tem um dos regimes mais conservadores e arcaicos do Oriente Médio.

Segundo ele, a guerra desse grupo terrorista é mais contra a monarquia saudita que contra os norte-americanos. Mas, como o governo dos Estados Unidos apóia o a casa de Saud e vários governos árabes ditatoriais, os americanos passaram a ser alvo de ataques. Ele conclui que o objetivo dos terroristas é local e regional, mas os meios de ação são
internacionais e globais.