CIA aprovou comentário sobre urânio iraquiano, afirmam Rice e Bush

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Publicado sexta-feira, 11 de julho de 2003 as 21:57, por: cdb

O presidente comentou a questão durante uma rápida visita a Uganda, o quarto país em sua viagem por cinco países da África. Ele falou pouco depois de sua assessora de segurança nacional, Condoleezza Rice, dizer que a CIA autorizou a redação do discurso.

“Eu fiz um discurso que foi aprovado pelas agências de inteligência”, afirmou o presidente. “Foi um discurso que detalhava ao povo americano os perigos impostos pelo regime de Saddam Hussein. E meu governo teve a resposta adequada a esses perigos”.

Os comentários de Bush e Rice parecem ter tido o objetivo de rebater os relatos que diziam que a CIA estava levantando objeções à alegação de que o Iraque tentou comprar urânio na África.

O Washington Post reportou, nesta sexta-feira, que a CIA tentou, sem sucesso, convencer o governo Bush a desistir da referência ao suposto acordo de um documento oficial de inteligência.

E uma reportagem exibida pela CBS News, na noite de quinta-feira, dizia que a Casa Branca havia ignorado um pedido da CIA para remover a declaração do discurso do Estado da União.

A Casa Branca reconheceu esta semana que havia errado ao incluir a declaração no discurso, porque ela foi baseada em informações faltosas de inteligência. A alegação era em parte baseada em documentos forjados alegando uma transação entre o Iraque e Níger.

Rice disse aos repórteres a caminho da África do Sul para Uganda que a CIA havia aprovado o conteúdo do discurso antes de Bush realizá-lo, em janeiro.

“A CIA justificou o discurso inteiramente”, afirmou Rice em uma entrevista de quase uma hora a bordo do avião presidencial. “Se a CIA – o diretor da inteligência central – dissesse, ‘Tire isso do discurso’, teria sido feito”.

Os críticos, incluindo alguns democratas no Congresso, acusaram o governo Bush de enganar o público aumentando a ameaça de armas impostas pelo Iraque para ganhar mais apoio em uma guerra contra Saddam.

A Casa Branca enfrentou algumas questões sobre a compra de urânio por meses. No último domingo, o New York Times publicou um artigo em uma coluna escrita por Joseph C. Wilson 4th, ex-embaixador que foi enviado no ano passado para Níger para investigar os relatos da suposta compra.

Wilson, que disse ter sido despachado depois de o escritório do vice-presidente Dick Cheney se interessar pela questão, reportou que a inteligência provavelmente era fraudulenta.

Rice disse que a referência específica ao urânio africano foi estudada pela CIA.

“Houve até algumas discussões sobre essa sentença específica, de forma que refletisse bem o pensamento da CIA e o discurso foi justificado”, disse aos repórteres na manhã desta sexta-feira.

Em particular, afirmou, a agência levantou uma objeção à referência da tentativa iraquiana em obter urânio. “Algumas especificidades sobre a quantidade e local foram excluídas”, afirmou, mas que assim que as mudanças foram feitas, “o discurso foi justificado”.

Rice disse que a agência de inteligência do Departamento de Estado expressou reservas sobre a informação do urânio africano, mas que o consenso geral entre as agências era de que o Iraque estava tentando comprar urânio na África.

Em seu discurso do Estado da União em janeiro, Bush afirmou: “A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou na década de 90 que Saddam Hussein tinha um avançado programa de desenvolvimento de armas nucleares, tinha um projeto para uma arma nuclear e estava trabalhando com cinco diferentes métodos de enriquecimento de urânio. O governo britânico descobriu que Saddam Hussein recentemente buscava significantes quantidades de urânio da África”.

Desde que as tropas de coalizão invadiram o Iraque, elas não encontraram nenhuma arma química ou biológica.