Chirac quer que EUA devolvam soberania a iraquianos ‘sem demora’

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 14:17, por: cdb

O presidente da França, Jacques Chirac, exortou os Estados Unidos nesta sexta-feira a devolução “sem demora” do poder aos iraquianos, no marco de um “processo” de transferências comandado pela ONU.

Chirac fez este pedido durante seu discurso de encerramento em Paris da XI edição da conferência anual de embaixadores franceses, com a qual se inicia tradicionalmente o novo ano político diplomático.

— A transferência do poder e a soberania aos iraquianos constitui a única solução realista. Deve ser implementada sem demora, no marco de um processo ao qual só as Nações Unidas estão em condições de ter legitimidade, com o apoio dos países da região — ressaltou Chirac.

Condicionou um eventual envio de tropas francesas ao Iraque à implementação desse “processo”.

— Uma vez que esse marco fique estabelecido, a comunidade internacional poderá dar uma cooperação eficaz e plena à reconstrução do país, de uma forma que deve ser definida com os próprios iraquianos — declarou Chirac diante de uns duzentos embaixadores e chefes de missões diplomáticas francesas no mundo.

Diante do risco de “caos” no Iraque, é necessária uma solução baseada na segurança, mas “não é suficiente”, disse Chirac, para quem a “a resposta deve ser primeiro política”.

O presidente francês voltou a render homenagem aos funcionários das Nações Unidas mortos de forma “tão dramática” no “odioso” atentado contra a sede desta organização em Bagdá no último dia 19, entre eles o representante da ONU no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que classificou como “um homem excepcional”.

Nesta quinta, em seu discurso de abertura da conferência, o ministro francês de Assuntos Exteriores, Dominique de Villepin, disse que Paris deseja que haja no Iraque uma “autêntica força internacional” sob mandato da ONU e que seja eleita uma assembléia constituinte iraquiana antes do fim do ano.

A novas disposições das Nações Unidas “não podem ficar simplesmente em uma ampliação ou ajuste das forças de ocupação atuais” no Iraque, assinalou Villepin, pois, na sua opinião, para normalizar a situação “não será suficiente enviar mais tropas, mais meios técnicos e financeiros”.

O chefe da diplomacia francesa respondeu assim aos pedidos de Washington de reforçar a coalizão britânico-americano no Iraque, que sofreu mais baixas no pós-guerra que durante o conflito. A conferência de embaixadores girou este ano em torno ao tema “A ação exterior da União Européia ampliada e a França: avaliação, objetivos e perspectivas”.