Chirac e Bush conversam por telefone pela primeira vez desde a guerra

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Publicado terça-feira, 15 de abril de 2003 as 18:22, por: cdb

Os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da França, Jacques Chirac, conversaram por telefone nesta terça-feira, no primeiro contato direto entre os dois líderes desde o início da guerra contra o Iraque, à qual Paris fez oposição firme e constante.

O telefonema foi iniciativa de Chirac. Segundo um funcionário da Casa Branca, Bush disse ao colega francês que “o Iraque livre é bem melhor do que quando tinha Saddam Hussein”.

A conversa durou 20 minutos, incluindo o tempo gasto pelos tradutores.

Chirac, que será anfitrião de Bush na reunião de cúpula do Grupo dos Oito, no próximo mês, aparentemente procurou amenizar as exigências para que as Nações Unidas assumam a reconstrução do Iraque.

Segundo a porta-voz do presidente francês, Catherine Colonna, Chirac disse a Bush que seu governo deseja adotar uma “abordagem pragmática” em questões do pós-guerra.

Além da reconstrução do Iraque em termos gerais, os dois presidentes conversaram sobre as sanções internacionais que ainda punem o país do Golfo Pérsico, bem como os planos de formação de um governo interino.

Este foi o segundo sinal claro emitido nos últimos dias por Chirac quanto à sua disposição em reparar os danos causados às relações franco-americanas pelas divergências sobre a guerra.

Chirac, segundo Colonna, disse a Bush que sua posição de que a guerra era desnecessária não mudou. Por outro lado, o líder francês referiu-se de maneira mais branda ao envolvimento da ONU no futuro do Iraque.

Se antes exigia um “papel central” para a organização, Chirac agora pede que a ONU entre “o mais cedo possível” na reconstrução do país.

“A França acredita que a comunidade internacional deve se dar a melhor chance possível e abrir caminho para a ONU, o mais cedo possível”, declarou Colonna. “Esse é o interesse de todos”.

No último sábado (12), Chirac já havia expressado esperança em normalizar as relações com Washington, dizendo: “Podemos reconstruir nossa união em torno de valores compartilhados por todas as democracias”.