Chirac critica comportamento de países do Leste Europeu

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Publicado terça-feira, 18 de fevereiro de 2003 as 14:47, por: cdb

O presidente da França, Jacques Chirac, criticou países do leste europeu – que esperam ser aceitos na União Europeu (UE) -, afirmando nesta terça-feira que perderam uma grande oportunidade de “ficar calados” quando assinaram cartas de apoio aos Estados Unidos em relação ao Iraque.

A França é uma das principais vozes contrárias à pressão de Washington por uma ação militar contra o presidente iraquiano, Saddam Hussein, insistindo que os inspetores de armas devem ter mais tempo para realizar suas buscas no país.

Mas 13 países, já em vias de ingressar na UE ou em negociações para aderir ao bloco, assinaram cartas de apoio aos Estados Unidos.

“Esses países não se comportaram bem e ignoraram o risco de se alinhar tão rapidamente à posição norte-americana”, condenou. “Não é realmente um comportamento responsável, maduro. Eles perderam uma boa oportunidade de ficarem quietos”.

“Acho que eles agiram levianamente porque a entrada na União Européia implica um mínimo de capacidade de compreender os outros”, lamentou, chamando as cartas de “infantis” e “perigosas”.

“Eles perderam uma grande oportunidade de calar a boca”, reiterou.

Polônia, Hungria e República Checa – todos com data marca para aderir à UE – juntaram-se aos já membros Grã-Bretanha, Espanha, Itália, Dinamarca e Portugal na assinatura de uma carta no mês passado de apoio à posição de Washington em relação ao Iraque.

Outros dez países do leste europeu – oito com datas de ingresso na UE e a Romênia e a Bulgária, que ainda estão em discussões a respeito – assinaram uma carta semelhante poucos dias depois.

“Romênia e Bulgária foram particularmente irresponsáveis. Se querem diminuir suas chances de entrar na UE, não poderiam ter encontrado uma forma melhor”, afirmou Chirac.

Quando perguntado por que não criticou igualmente os membros da UE que assinaram a carta, Chirac respondeu: “Quando você está na família, tem mais direitos do que quando está pedindo para entrar ou batendo na porta”.

Suas palavras irritaram alguns dos aspirantes a membros do bloco. O vice-primeiro-ministro checo, Alexandr Vondr, declarou que parecia que Chirac estava tentando intimidá-los.

O vice-ministro das Relações Exteriores polonês, Adam Rotfeld, disse a uma rádio local que “a França tinha o direito de ter sua opinião e a Polônia tinha o direito de decidir o que é bom para o país. A França deveria respeitar isso”.

O presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, afirmou que ficou entristecido com os candidatos, porque seu pró-americanismo indicava que eles não compreenderam que a UE é mais do que uma mera união econômica.

“Fiquei muito, muito triste, mas sou paciente por natureza; portanto, espero que compreendam que compartilhar o futuro significa compartilhar o futuro”, declarou a repórteres.

A União Européia decidiu em dezembro passado admitir 10 novos membros – Polônia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Eslovênia, Letônia, Lituânia, Estônia, Chipre e Malta – em maio de 2004, mas os Parlamentos dos atuais 15 países membros ainda têm que ratificar a decisão.