Chirac, campeão da ajuda ao desenvolvimento

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Publicado segunda-feira, 2 de setembro de 2002 as 13:02, por: cdb

a comunidade internacional deve “fixar-se nos objetivos concretos para salvar o planeta”. Abrindo a fase final da Cimeira da Terra, o presidente sul-africano Thabo Mbeki conclamou a centena de chefes de Estado e de governo presentes nesta segunda-feira “para implementar um processo de desenvolvimento global que conduza a eliminar a pobreza e fazer avançar a humanidade no contexto de uma proteção ecológica do planeta”. Os líderes sucedeu-se seguidamente à tribuna do centro de convenção de Sandton os cada cinco minutos.

“A nossa casa está em chamas e olhamos para outro lugar”, declarou Jacques Chirac. Como a maior parte dos governantes presentes, o presidente francês sublinhou a urgência levar a efeito todos os esfoços para salvar o planeta. “É tempos de abrir os olhos sobre as catástrofes naturais, as crises financeiras, os conflitos internos, a SIDA ou a fome, sobre tudo o que fizeram apenas de agravar-se estes últimos anos. A consciência da nossa insuficiência deve levar-nos aqui, em Joanesburgo, a concluir a aliança mundial para o desenvolvimento sustentável”, afirmou o chefe do Estado francês. Esta aliança deve ser formada pelos países ricos que devem comprometer “a revolução dos seus modos de produção e de consumo” e realizar “um esforço de solidariedade” para com os países pobres. Por outro lado, estes devem comprometer-se “com a via da boa governabilidade e o desenvolvimento limpo”.

Jacques Chirac não chegou a Joanesburgo com um catálogo de boas intenções. Propõe “uma cobrança de solidariedade sobre as riquezas geradas pela globalização”, uma espécie de taxa mundial para financiar o desenvolvimento altamente controverso. Chirac continuou a ser brando sobre o mecanismo ao qual pensa ser viável e que já levantou em março, em Monterrey, no México, em um dos encontros preparatórios de Joanesburgo. “Taxar os bilhetes de avião, o CO2, os medicamentos vendidos nos países industrializados, ou mesmo sobre as transacções financeiras internacionais” poderia ser, de acordo com o presidente francês, uma das formas da cobrança à qual fez alusão.

Outra recomendação: elevar a ajuda ao desenvolvimento dos países ricos a 0,7% do seu PIB nos dez anos a fim de erradicar a pobreza (contra 0,32% actualmente, 0,5% em cinco anos). Entre as prioridades, Jacques Chirac preconizou igualmente a preservação da diversidade biológica e cultural, uma mudança dos modos de produção e de consumo, um govero mundial “com a criação de um Conselho de segurança económico e social e de uma Organização mundial do ambiente, e a ratificação mais ampla possível do protocolo de Quioto sobre as mudanças climáticas”.