Chirac admite discutir fim do embargo da ONU contra Iraque

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Publicado sexta-feira, 9 de maio de 2003 as 15:47, por: cdb

A França está pronta para discutir a suspensão do embargo econômico da ONU ao Iraque, como querem os Estados Unidos, de uma forma “construtiva e aberta,” disse o presidente Jacques Chirac nesta sexta-feira.

Ele afirmou, porém, que seu país continua defendendo um papel central para a ONU importante na recuperação do Iraque, de forma que os Estados Unidos não monopolizem esse trabalho. A França tem poder de veto no Conselho de Segurança e se opôs firmemente à guerra.

– Essa proposta [de suspensão do embargo] estará sujeita a discussões no Conselho nos próximos dias. Posso confirmar que a França vai participar delas com um espírito aberto e construtivo -, afirmou ele em Wroclaw, após reunião com os chefes de governo da Polônia e da Alemanha. Chirac já se manifestou a favor da simples suspensão das sanções, em vez do seu fim definitivo.

A proposta apresentada pelos EUA (subscrita também por Espanha e Grã-Bretanha) na prática relega a ONU a outras instituições multilaterais a um papel apenas consultivo na administração do processo de reconstrução e ajuda humanitária.

A idéia é reduzir paulatinamente, ao longo de quatro meses, o programa da ONU que prevê a troca de petróleo iraquiano por gêneros de primeira necessidade, a única brecha hoje existente no embargo. A França defende que a ONU continue à frente desse programa durante mais algum tempo.

Os Estados Unidos acreditam que países como Rússia, França, Alemanha e China não vão querer repetir o desgaste diplomático ocorrido às vésperas da guerra, e por isso devem aprovar a resolução – possivelmente com algumas modificações – até 3 de junho.

A essa altura, um veto parece improvável, mas fontes diplomáticas disseram em Paris que nos próximos dias a França vai querer sentir o ambiente para ver de que apoios dispõe na sua proposta de dar mais influência à ONU no Iraque.

As sanções econômicas foram impostas ao Iraque depois que o país invadiu o vizinho Kuweit, em 1990. Os Estados Unidos querem o seu fim porque entendem que as restrições não fazem mais sentido agora, que o regime de Saddam Hussein foi derrubado.