Chineses são contra Japão no Conselho da ONU

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Publicado quinta-feira, 23 de setembro de 2004 as 08:56, por: cdb

Cerca de 95% dos chineses que participaram de uma pesquisa pela Internet na China continental são contra a candidatura do Japão por um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O Japão anunciou nesta semana que está negociando com os outros interessados em uma vaga – Brasil, Alemanha e Índia – por uma troca de apoio.

A pesquisa feita pela edição na Internet do jornal estatal China Youth Daily perguntou quem os leitores achavam que deveria receber o posto permanente. Cerca de 61% responderam Alemanha, 26% responderam Brasil, 9% Índia e apenas 2% apontaram o Japão. Em resposta a outra questão, 95% dos participantes disseram que não acreditavam que o Japão deveria ficar com a vaga permanente.

O Conselho de Segurança, responsável pela segurança internacional e com poder de tomar decisões obrigatórias para todos os membros da ONU, tem no momento 15 participantes.
Entre eles há cinco membros permanentes, com poder de veto: Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China. Dez vagas são ocupadas por países eleitos para mandatos de dois anos.
A pesquisa começou na noite da última terça-feira e, até esta quinta-feira, 3.511 pessoas haviam respondido, segundo o site do jornal (www.cyol.com). O site não disse quem são os participantes. Quase 60% das pessoas que são contra o assento permanente para o Japão citaram “razões históricas”. Vinte e dois por cento opõem-se porque 😮 Japão tem uma grande economia, mas não é um país com grande importância política”, disse a pesquisa.

Muitos chineses têm ressentimentos em relação ao passado de guerra com o Japão e alegam que o país não assume suas atrocidades. Pequim estima que cerca de 35 milhões de chineses foram mortos ou feridos por tropas invasoras japonesas entre 1931 e 1945. No sábado, a China relembra o 73o. aniversário do início da invasão japonesa com sirenes em mais de 100 cidades do país.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Kong Quan, afirmou em entrevista coletiva na terça-feira que o Conselho de Segurança deveria dar prioridade a países em desenvolvimento.

– Mas também acreditamos que se um país deseja assumir um papel de responsabilidade em assuntos internacionais, precisa ter um entendimento claro de questões históricas relativas ao próprio país – disse Kong.

A maioria dos membros da ONU considera a estrutura da organização ultrapassada e acha que não tem representatividade em um mundo que passou por grandes mudanças desde a Segunda Guerra Mundial.

Qualquer mudança precisa de aprovação de dois terços da Assembléia Geral, formada por 191 membros, e nenhum veto dos cinco membros permanentes do Conselho.