China reestrutura sistema bancário e aumenta teto para investimentos estrangeiros

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Publicado segunda-feira, 1 de dezembro de 2003 as 11:00, por: cdb

A China anunciou nesta segunda-feira um plano abrangente para reestruturar o sistema bancário do país, que inclui uma mudança significativa nas restrições para participação dos estrangeiros no setor. Segundo o presidente da Comissão Regulatória dos Bancos do país, Liu Mingkang, as medidas incluem o aumento de 15% para 20% teto para investimentos de estrangeiros nas instituições financeiras chinesas.

As medidas prevêem ainda a expansão do número de cidades em que as filiais de bancos estrangeiros poderão fazer negócios com o iuan, a moeda local, e a redução das exigências de capital mínimo para essas filiais.

Para completar, Liu confirmou que o governo está esboçando um plano de recuperação dos grandes bancos locais. Ao invés de injetar dinheiro público, o governo está elaborando um projeto piloto para redução dos créditos podres e a possibilidade de permitir a listagem em bolsa dos papéis. O teste de levantamento de capital com lançamento de ações em bolsas, provavelmente, será feito com um ou dois dos principais bancos do país.

Os quatro principais bancos da China são o Bank of China, Industrial and Commercial Bank, China Construction Bank e Agricultural Bank of China. Em conjunto, esses bancos carregam um total estimado de US$ 120 bilhões em créditos podres, cerca de 21% do total de empréstimos dessas instituições. Mas esse percentual é questionável, com alguns economistas calculando que eles representem 50% da carteira total de empréstimos dos bancos.

O problema dos empréstimos podres é uma herança da concessão de recursos para empreendimentos estatais.

Liu, que tem um MBA da City University, de Londres, faz parte de um novo grupo de autoridades financeiras com formação internacional, integrado também pelo presidente do Banco Central, Zhou Xiaochuan. Alguns executivos do setor afirmam que a decisão de aumento do teto para participação externa abre caminho para que acionistas estrangeiros ajudem na administração do sistema bancário chinês.

Atualmente, cerca de 62 bancos estrangeiros de 19 países estão autorizados a operar na China, mas seus ativos não superam 1,4% do mercado. Os executivos atribuem a presença fraca às barreiras impostas pelo governo. Mesmo com a ampliação da área de atuação dos bancos estrangeiros anunciada hoje, apenas 13 cidades podem ser atendidas por serviços desses bancos. E a exigência mínima de capital para esses bancos continua em 500 milhões de iuans (US$ 60,38 milhões) por unidade.