China descarta relação entre decisão da Líbia e crise coreana

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 12:02, por: cdb

O governo chinês descartou nesta terça-feira, qualquer relação entre a renúncia da Líbia às armas de destruição em massa e a crise nuclear coreana, cujas negociações estão paralisadas desde agosto.

– Aplaudimos a decisão da Líbia, mas cada caso é um caso. A China defende uma solução diplomática para a crise nuclear coreana – disse nesta terça-feira Liu Jianchao, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em entrevista coletiva.

Os Estados Unidos aproveitaram a decisão tomada pelo líder líbio, Muamar el Gadafi, como arma contra a Coréia do Norte, que se nega a suspender seu programa nuclear enquanto Washington não atender suas exigências de segurança.

Segundo o representante da diplomacia chinesa, “ainda existem diferenças entre as partes envolvidas na crise nuclear, mas não são insolúveis. Pequim sediará negociações multilaterais nas próximas semanas”.

Representantes da China e dos Estados Unidos realizaram no fim de semana novas consultas para a convocação de uma segunda rodada de negociações multilaterais, previstar para janeiro ou fevereiro em Pequim.

– Todas as partes devem mostrar uma maior sinceridade, flexibilidade e pragmatismo- ressaltou o porta-voz, reiterando a postura chinesa contrária à “existência de armas nucleares na Península Coreana”.

Segundo os analistas, um novo atraso na realização da segunda rodada de negociações com seis partes poderia provocar uma paralisaçao definitiva da resolução do conflito nuclear.

Washington rejeitou na semana passada as exigências de Pyongyang em relação a sua exclusão da lista dos países que apóiam o terrorismo, a suspensão das sanções econômicas e militares e a retomada do fornecimento de energia e alimentos.

Pequim considera que a renúncia líbia a possuir e fabricar armas de destruição em massa é uma boa mostra de que o diálogo, e não a pressão, é a estratégia mais útil para discutir com os regimes integrantes do eixo do mal: Coréia do Norte e Irã.

A Coréia do Norte, que tem um Exército de mais de um milhão de homens e poderia ter armas nucleares, dispõe de uma força militar muito superior à do Iraque e à da Líbia.

A atual crise nuclear começou em outubro do ano passado, quando as autoridades da Coréia do Norte reconheceram a funcionários americanos a existência de um programa nuclear secreto, em violação ao acordo assinado em 1994.