China condena líderes de protesto trabalhista

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Publicado sexta-feira, 9 de maio de 2003 as 12:31, por: cdb

A Justiça chinesa condenou na sexta-feira dois líderes trabalhistas acusados de subversão a penas de até sete anos de prisão, disse um porta-voz.

Yao Fuxin, 52, foi condenado a sete anos de prisão e Xiao Yunliang, 57, a quatro anos por terem liderado protestos realizados em Liaoyang em março de 2002. O porta-voz não forneceu mais detalhes.

Um grupo de defesa dos direitos humanos disse que novas manifestações acontecerão se o governo não ajudar os trabalhadores.

– O governo chinês tornou pública a sentença de condenação dos trabalhadores neste momento em que a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) se espalha para evitar críticas da comunidade internacional – declarou o grupo China Labour Watch, com base em Nova York.

– Mas, se o governo chinês não adotar medidas para solucionar as dificuldades dos trabalhadores e garantir seus direitos previstos em lei, as manifestações continuarão e vão se espalhar – afirmou.

Os dois condenados apelariam da condenação, disseram familiares.

Os réus foram detidos em março de 2002 acusados de terem organizado manifestações trabalhistas ilegais em Liaoyang, no chamado “cinturão da ferrugem”, onde várias empresas estatais demitiram milhões de trabalhadores recentemente.

Milhares de operários encheram então o prédio da Prefeitura da cidade, criticando a corrupção e exigindo o pagamento de salários e benefícios atrasados.

Alguns dos protestos acabaram em confrontos.

Os incidentes em Liaoyang aconteceram em meio a uma onda de protestos de trabalhadores realizados antes do congresso do Partido Comunista em novembro. No congresso, foi escolhida a nova liderança da China, já empossada.