China abre as portas para a tevê de Murdoch

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Publicado quinta-feira, 6 de setembro de 2001 as 21:34, por: cdb

O governo da China deve fechar um acordo com a Corporação de Mídia de Rupert Murdoch e a AOL Time-Warner para transmitir diretamente para a televisão chinesa, o que significa um relaxamento sem precedentes da política de controle da mídia no país.

Se o acordo for fechado, será a primeira vez que uma rede estrangeira terá permissão para transmitir diretamente para a China.

Os americanos poderão para transmitir em uma área restrita, Guandong – uma província rica próxima a Hong Kong – mas nenhuma programação foi acertada ainda.

Em troca, as companhias ocidentais vão retransmitir para os Estados Unidos programas chineses em inglês da televisão estatal do país, o canal CCTV-9.

Desafio

Segundo uma porta-voz da Secretaria de Comunicação Chinesa, os americanos querem entrar no mercado e os chineses querem transmitir para outros países, assim o acordo trará benefícios para as duas partes.

Entretanto, analistas afirmam que, se o acordo for fechado, trazer o canal chinês para os Estados Unidos será um desafio político.

As notícias a respeito do acordo com os chineses têm sido vistas como uma vitória pessoal de Rupert Murdoch, que tentou várias vezes entrar no mercado de televisão da China.

O empresário americano vem tentando reparar os danos causados pela declaração feita há oito anos, na qual Murdoch disse que a TV via satélite representa “uma ameaça aos regimes totalitários”.

As conversas com os chineses estão avançadas e podem ser o primeiro passo para o lançamento de um canal de entretenimento pela corporação americana.

Dinheiro

O acordo é potencialmente lucrativo, dando à TV chinesa um mercado de propagada estimado em U$ 2,4 bilhões (cerca de R$ 6,18 bilhões).

A China já tem 90 milhões de assinantes de televisão à cabo.

Mas analistas do setor afirmam que pode levar anos até as companhias americanas poderem colher os lucros do mercado chinês.

Eles também não acreditam no valor dos lucros esperados, porque Guandong – onde os americanos transmitirão – representa apenas uma parte do potencial do mercado da China.