Chefe-executivo de indústria duvida que cigarro cause câncer

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Publicado terça-feira, 11 de novembro de 2003 as 19:55, por: cdb

O chefe- executivo de uma das maiores indústrias de cigarro do mundo, Imperial Tobacco Group PLC, disse nesta terça-feira, ao testemunhar no primeiro processo na Inglaterra por indenização pela morte de um fumante, que não está provado que cigarro causa câncer.

Gareth Davis testemunhava na ação movida contra sua empresa pela viúva de uma vítima de câncer de pulmão. Margaret McTear está pedindo 500.000 libras (cerca de R$ 2.400.000,00) de indenização porque falharam os avisos a seu marido, Alfred, sobre o perigo de fumar cigarros.

Alfred McTear morreu em 1993, aos 48 anos, um pouco depois do início da ação.
O advogado de Margaret, Colin McEachran, perguntou a Davies se ele concordava que fumar causa câncer de pulmão.

– Acho que o correto é dizer que acredito que fumantes podem mais provavelmente desenvolver doenças sérias, como câncer no pulmão, que os não-fumantes e concordaríamos que não existe cigarro seguro – disse o executivo, de 53 anos, ao tribunal. McEachran insistiu: “Isto significa que fumar causa câncer de pulmão?”

Davies, um fumante desde os 15 anos, replicou: “Não, não quer dizer isso… Estatísticas demonstraram uma relação entre fumar e certas doenças, incluindo câncer do pulmão, e acredito que cientistas concordariam que associação estatística não estabelece, por si mesma, causa e efeito… Há muitas questões que ainda não foram respondidas.”

McEachran, então, confrontou Davies com os rótulos dos cigarros vendidos na Inglaterra, que incluem “fumar causa câncer” e “fumar mata”. “Sua empresa aceita isso?”, perguntou.
“A resposta é não sabemos”, disse Davies. “Pode ser mas não sabemos.”

A Organização Mundial da Saúde chegou a conclusão diferente. Sua Convenção de Controle do Fumo determina que “evidências científicas estabeleceram inequivocamente que o consumo de tabaco e a exposição ao tabaco causa morte, doença e impotência”.