Chávez volta ao Brasil em meio a situação confusa na Venezuela

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Publicado quinta-feira, 24 de abril de 2003 as 13:59, por: cdb

Em sua quarta visita ao Brasil em menos de quatro meses, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chega a Recife (PE), nesta sexta-feira, para seu terceiro encontro com o presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Em Recife, onde ficará até sábado, Chávez visitará o município de Ignácio Abreu e Lima, a 18 quilômetros da capital, para fazer uma homenagem ao general José Ignácio Abreu e Lima, que combateu junto ao Libertador Simón Bolívar.

Chávez chega ao País, em meio a uma nova onda de incertezas, indefinições e compromissos não cumpridos desde o fim da greve geral que abalou as instituições da Venezuela, no início de fevereiro.

A assinatura do acordo entre o governo venezuelano e Coordenadoria Democrática (reunião de organizações políticas e da membros da sociedade civil opositores a Chávez), que ao final do ano passado tentou derrubar Chávez, por exemplo, foi adiada indefinidamente e sem explicação alguma por parte dos membros do gabinete do presidente venezuelano. Esse acordo daria o início para a definição do referendo revogatório, com o qual os venezuelanos poderão decidir, ainda este ano, se querem ou não Chávez no poder.

O secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, voltou para Caracas na quarta-feira à noite para tentar restabelecer o contato entre as duas partes e poder encontrar respostas para os venezuelanos sobre quando, onde e em que termos poderão ser retomadas as negociações. Mas até o meio-dia desta quinta-feira não havia definição alguma.

Apesar das explicações de que o governo não tem intenções de impedir a realização do referendo revogatório ainda este ano, o processo parece estar se complicando ainda mais. O governo tem insistido em que, primeiro, é necessário a definição das novas autoridades do Conselho Nacional Eleitoral, o TSE venezuelano.

Para isso, no entanto, a oposição terá de voltar a coletar novas assinaturas para a convocação do referendo. Para a realização dessa consulta, são necessárias pelo menos 2,4 milhões de assinaturas, ou 20% do colégio eleitoral.

– Se o referendo não é realizado não é porque o governo não quer, mas porque a oposição não consegue (as assinaturas suficientes) – ironizou recentemente o vice-presidente, José Vicente Rangel. De acordo com ele, se a consulta fosse realizada, Chávez obteria 53% de apoio dos venezuelanos. A oposição, no entanto, diz o contrário.

Rangel declarou também que, caso Chávez venha a ser derrotado, o governo aceitará os resultados. “Somos democráticos e aceitaremos a vontade do povo. Mas, depois, não venham a afirmar que, se Chávez vencer, houve fraude”, afirmou Rangel.

Chávez chega também em meio a uma série de números assustadores sobre a situação do país. O desemprego, a queda do poder aquisitivo das pessoas e a insegurança, por exemplo, estão provocando a ira de grande parte dos venezuelanos.

Apesar de o governo sempre ter se esforçado para desqualificar qualquer tipo de pesquisas, argumentando manipulação, um recente levantamento da empresa Datanálise mostra que 42,5% dos venezuelanos desejariam ir embora do país. Isto é, quatro de cada dez venezuelanos gostariam de estar fora das Venezuela.

Esse eventual êxodo estaria sendo motivado pela falta de emprego, principalmente, em meio a uma lista imensa de conflitos dentro do país. A pesquisa indica que a desocupação afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas, enquanto que 53% da população economicamente ativa (PEA) vive da economia informal, o que implicaria rendas 40% menores às que recebem os que estão empregados legalmente.

O segundo problema apontado pelos venezuelanos para querer deixar o país é a insegurança, o qual preocupa principalmente as classes média, média alta e alta. Outro problema é a queda do poder aquisitivo, já que a moeda nacional, o bolívar, vem se desvalorizando cada dia mais.