Chávez pede que secretário da OEA respeite soberania venezuelana

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Publicado domingo, 23 de fevereiro de 2003 as 20:54, por: cdb

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu hoje, domingo, ao secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), César Gaviria, que não emita opiniões inapropriadas sobre assuntos que dizem respeito à soberania do país.

“Senhor Gaviria, ponha-se em seu lugar. O senhor foi presidente de uma nação. Este é um país soberano”, afirmou Chávez durante seu programa de rádio e televisão transmitido aos domingos “Alô, Presidente”.

O secretário-geral da OEA dirige as negociações entre governo e oposição para acordar uma saída para a crise venezuelana.

A declaração de Chávez faz referência a um comunicado de Gaviria, no qual este pediu um tratamento justo ao presidente da entidade patronal Fedecámaras, Carlos Fernández, preso a pedido da Procuradoria Geral venezuelana pelos delitos de incitação ao crime e rebelião civil, entre outros.

“Aqui não pode haver privilégios para ninguém. Todos somos iguais perante a lei. Esse senhor (Fernández) é um criminoso e um terrorista e deve responder à Justiça”, declarou o presidente.

Chávez também criticou as declarações feitas por representantes dos governos americano e espanhol, que estariam baseadas em um desconhecimento da realidade venezuelana e que representariam uma intromissão nos problemas internos do país.

“Que se informem antes de sair dizendo nada com nada, porque ficam mal quando saem dando declarações sem conhecimento. Além disso, os que manifestaram preocupação com a detenção (de Fernández) são os mesmos que reconheceram o golpe” de 11 de abril passado, disse o governante.

“Parece que continuam sem entender que estamos restituindo as instituições. Aqui o que há é um anseio por justiça. Ninguém pode dizer que Carlos Fernández, que é um terrorista, não tem sido respeitado” acrescentou Chávez.

Ao chegar em sua residência, onde permanecerá sob prisão domiciliar até que ocorra o seu julgamento, Fernández disse que seus direitos foram respeitados durante a sua prisão, onde esteve desde quinta-feira, na sede da polícia política (Disip).

“Estou tranqüilo e muito contente de estar em casa. Trataram-me muito bem. Respeitaram todos os meus direitos e tive uma ótima atenção na Disip”, afirmou o líder empresarial.