Chanceler britânico acha difícil uma guerra sem o apoio popular

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Publicado segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003 as 12:37, por: cdb

O secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, admitiu nesta segunda-feira ser difícil ir para uma guerra contra o Iraque sem apoio popular, mas disse acreditar que a maioria endossaria um conflito armado com base numa mandato das Nações Unidas.

Uma gigante manifestação em Londres, realizada no sábado passado e que atraiu 750 mil pessoas, segundo a Polícia, e dois milhões, de acordo com os organizadores, enviou um recado contra a guerra ao governo britânico.

Perguntado por um jornalista se o país poderia ir para uma guerra mesmo com uma maioria oposta ao conflito, Straw respondeu: “É muito difícil nessas circunstâncias”.

“É patentemente melhor para os governos levarem um país à guerra, à ação militar, se têm, nitidamente, o apoio do público, do que não tê-lo”, acrescentou.

“Sim, houve uma manifestação muito grande, provavelmente a maior que já vimos em nossa história recente e democrática em Londres, no sábado, e nós temos que levar em conta a opinião pública”, disse ainda o chanceler.

Mas, para Straw, o Parlamento apoiou a posição do governo em uma votação realizada em novembro do ano passado e o público já estava começando a entender que o Iraque representa uma ameaça.

Referindo-se às pesquisas de opinião, Straw comentou: “Apareceria uma maioria a favor da tomada de ação militar se isso fosse endossado pelas Nações Unidas, como nós, certamente, queremos que seja”.

As declarações de Straw sublinharam as dificuldades políticas enfrentadas pelo primeiro-ministro, Tony Blair, em seus esforços diplomáticos para garantir uma segunda resolução do Conselho de Segurança da ONU autorizando o uso da força para eliminar as alegadas armas de destruição em massa do Iraque.

O secretário disse que “não estabeleceria um prazo” para que os esforços levem a uma nova resolução e persuadam países céticos, como França e Alemanha, a aprovar o uso da força.

Mas Straw disse que a comunidade internacional deve estar preparada para aplicar a força, se necessário.

“Não há um único membro do Conselho de Segurança que tenha dito sim, o Iraque está cumprindo (as resoluções da ONU)”, declarou. “É que o Iraque não está cumprindo”.