Cesar Maia abre fogo contra aliado tucano

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 as 11:19, por: cdb

O ex-prefeito do Rio e provável candidato a uma vaga no Senado pelo Partido Democratas (DEM), Cesar Maia abre a edição desta sexta-feira de seu ex-blog com uma crítica a um dos principais aliados. Com o título “FHC vai fazer gol contra!”, Maia afirma que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso adotou um “estilo holandês” de ser.
              
“FHC é um dos personagens políticos mais importantes desta eleição, queira ou não. Portanto, deve cuidar muito dos próprios passos. Agora, num estilo holandês de ver a vida, decidiu ser o âncora de um filme-documentário propondo que o consumo de drogas, com a maconha como abre alas, corra livre de constrangimento”, afirmou.

Ainda segundo Maia, FH erra ao participar da iniciativa,  pois se trata de “uma questão polêmica, de questionável efetividade, dada a rede informal de micro-redistribuidodes/consumidores de droga existente”.

Maia ainda sugere a FHC que “reflita bem”. O ex-prefeito pondera que o ex-presidente “está no Brasil e que sua atuação no clube das personalidades mundiais acima do bem e do mal se aplica em fóruns sofisticados, mas não se aplica no Brasil, em especial por veiculação de massa. Rapidamente os momentos mais contundentes serão recortados e cairão em todas as redes de internet, com a chamada que se imagina”

Segundo Cesar Maia, a atuação de FHC nas eleições, caso trechos do documentário sejam usados pelos adversários, neste ano eleitoral, tanto na internet quanto na TV, “seria um desastre”.

Candidato

Apesar das críticas de Cesar Maia, o PSDB, principal partido da oposição, confirmará a aliança com o DEM e a candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência provavelmente no final de março. Em conversa com jornalistas, na noite passada, o senador Sérgio Guerra (PE), presidente da legenda, afirmou ainda que Serra, se vencer as eleições de outubro, irá aperfeiçoar a disciplina fiscal ao limitar os gastos correntes, vai manter o regime de câmbio flutuante e fortalecerá as agências reguladoras.

– Não há dúvida, será Serra. Até o final de março, esta questão estará resolvida – afirmou Guerra, sobre o anúncio oficial da candidatura tucana. Ele previu, ainda, que o vice de Serra será indicado pelo aliado DEM, apesar dos escândalos que marcam a atuação dos principais governantes do partido em Brasília e em São Paulo.

Por enquanto, o governador paulista lidera as pesquisa com 36% das intenções de voto, à frente da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua sucessão, com 25%, segundo levantamento do Ibope deste mês. Guerra disse que um governo do PSDB reforçaria a disciplina fiscal em relação à administração atual.

– Nós vamos ter uma política fiscal muito mais responsável do que tem o governo atual, significa ter um rigor fiscal maior, não permitir crescimento da despesa corrente num nível que ela está se desenvolvendo, ganhar eficiência na administração pública e nos investimentos públicos – afirmou.

Essas medidas, na opinião do tucano, aumentariam a capacidade do governo de investir, permitiriam a queda das taxas de juro e evitariam uma valorização excessiva do real, declarou. O Brasil tem uma das maiores taxas de juro entre as principais economias do mundo, o que atrai capital externo que contribui com a valorização do real.

Lula, no entanto, esteve à frente de um dos maiores crescimentos econômicos do Brasil em décadas, mas os gastos do governo subiram no ano passado, principalmente devido à crise do capitalismo mundial. Dilma, que foi anunciada como candidata do PT no sábado, planeja dar sequência à atual política econômica, mas também defende uma participação maior do Estado na economia.

Nenhum dos candidatos parece se distanciar das políticas econômicas elogiadas por investidores e que marcaram os dois mandatos de Lula na Presidência.