Cerco da PM paulista termina em três mortes

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Publicado domingo, 4 de janeiro de 2004 as 21:15, por: cdb

Um turista fluminense foi morto, na madrugada deste domingo, em um cerco da Polícia Militar no Bixiga, um dos mais tradicionais bairros paulistanos, Centro da capital. Na ação, morreram também um adolescente e um assaltante.

O turista é o auxiliar de enfermagem Lincoln Thieme, 42, que havia saído com o irmão, o médico Mário Henrique Thieme, 39, para conhecer o edifício Copan e a igreja da Consolação. Os dois foram rendidos quando voltavam para casa, a uma quadra do apartamento onde Mário reside, por Flávio Oliveira, de 21 anos, também conhecido como Tonhão.

O acusado e um comparsa haviam assaltado o bar Skina do Bixiga, na esquina da 13 de Maio com a Manuel Dutra, do qual roubaram R$ 600. O comparsa escapou, mas Tonhão foi seguido por pelo menos quatro pedestres.

Na fuga, rendeu um motoboy, mas foi retirado da moto por Leonardo Ferreira Lima, 16, um dos pedestres. Tonhão atirou e atingiu as costas de Lima, que morreu no Pronto Socorro Vergueiro. O assaltante continuou fugindo, mas a PM passou pelo Skina do Bixiga e foi avisada do roubo. Quando o carro da polícia se aproximava, o acusado segurou pelo pescoço o auxiliar de enfermagem Lincoln, que passava pela calçada com o irmão.

Foi na esquina da rua Santo Antônio com a rua Martinho Prado, por quase uma hora, que aconteceu toda a trama. Mário, deitado na calçada, de barriga para baixo, aos pés do criminoso. Lincoln, deitado no colo do assaltante, com um revólver apontado para a sua cabeça.

Cerca de 40 PMs – do 11º Batalhão e da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) – cercaram o local. Atrás de um escudo, dois policiais chegaram a ficar a dois metros do assaltante e dos reféns. Dezenas de curiosos se juntaram na rua e no viaduto Júlio de Mesquita Filho. O  Gate, guarnição especializada em negociações que envolvem reféns, não foi chamado.
 
O capitão Marcos César Carnevalle, da Rota, diz ter oferecido a Tonhão a possibilidade de fuga, caso ele soltasse pelo menos um refém. Não teve sucesso.

– Ele não dava atenção para nenhum de nós – afirmou o policial.

Mesmo com a arma na cabeça, Lincoln falou várias vezes com Tonhão, tentando convencê-lo a se entregar.

– Se você me matar, vai morrer também – disse o auxiliar de enfermagem.

Segundo a PM, ele respondia:

– Cala a boca. Vou te matar -, até que atirou”, completou o capitão.

O primeiro disparo que atingiu Lincoln foi dado à 1h25. Perfurou a cabeça do refém. Segundo a versão da PM, partiu da arma de Tonhão, que ainda teria disparado quatro balas contra os policiais. Só aí, diz o relato oficial, a PM atirou. Mário ficou deitado na calçada, no meio do tiroteio.

Atingido por pelo menos quatro tiros nos braços, nas pernas e na cabeça, Tonhão morreu na Santa Casa. O médico Mário Thieme tentou reanimar o irmão com uma respiração boca-a-boca. ´Consegui fazê-lo chegar vivo à Santa Casa”, afirmou o irmão da vítima, na 5º DP, em Aclimação, onde teve uma crise de choro.