Central Park completa 150 anos

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 17:35, por: cdb

Rejuvenescido e em plena forma, o nova-iorquino Central Park comemora seus 150 anos com um amplo programa de atividades artísticas, musicais, esportivas, de dança e de cinema que culminarão em janeiro, com uma série de desfiles, concertos, corridas e fogos de artifício.

– Para milhões de nova-iorquinos, o Central Park não é apenas um parque, é seu jardim, sua área de piquenique, sua área de jogos, sua reserva natural, seu campo dos sonhos -, disse nesta terça-feira, o prefeito de Nova York, Michael Bloomber, em uma entrevista coletiva com a qual inaugurou os eventos.

Segundo Bloomberg, o parque “é verdadeiramente um espaço democrático no qual pessoas de todas as raças e origens podem circular livremente”.

Os eventos para comemorar o aniversário começarão esta mesma semana com uma exposição de quadros pintados à óleo, aquarelas, desenhos, gravuras, fotografias e esculturas desde 1850 até a atualidade centrados no parque, uma das muitas exibições previstas até o dia 19 de janeiro.

O programa, que está concentrado principalmente nos meses de junho a setembro, inclui obras de teatro de William Shakespeare, e interpretações da Ópera Metropolitana e da Orquestra de Jazz do Lincoln Center.

A música ao vivo inclui atuações do baixista africano Bakithi Kumalo, do saxofonista James Spaulding, do trombonista Jimmy Bosch, do conjunto Jeremy Pelt Sextet, e do Los Soneros de Oriente, um grupo integrado por cubanos e porto-riquenhos.

As atividades terão desde aulas de pesca, para aprender a capturar e libertar os peixes, até um torneio de basquete e uma conferência internacional para explorar o passado, presente e futuro dos grandes parques e seu papel para tornar as cidades mais habitáveis, prevista o dia 21 de junho.

– Nova York é a cidade mais vibrante do planeta e o Central Park é a sua alma e coração -, garantiu Regina Peruggy, presidenta do Conselho de Conservação do parque, responsável pelo renascimento deste espaço, para o qual os anos não passaram em vão.

Foi em meados do século XIX quando o diretor do Evening Post, William Cullen Bryant, se uniu a Andrew Jacson Downing, o primeiro arquiteto de espaços públicos em uma campanha para preservar uma área “verde” por causa do rápido desenvolvimento urbanístico da cidade que, pela imigração, tinha passado dos 60 mil habitantes em 1800 para meio milhão em 1850.

Em um momento de raro consenso político, os partidos da época apoiaram a idéia e no dia 21 de julho de 1853, foi aprovada a compra do terreno que se tornaria o principal pulmão de Nova York.

Entre 1853 e 1856 os membros da comissão da cidade pagaram mais de 5 milhões de dólares da época para conservar e regular uma superfície de 3,4 quilômetros quadrados, destinada ao descanso e ao passeio.

O parque chegou a acolher mais de cinqüenta estátuas, monumentos e fontes em homenagem a celebridades como Hans Christian Andersen, Ludwig van Beethoven, Alice no País das Maravilhas, Romeu e Julieta, e José Martí.

No entanto, não souberam preservar sua beleza e em 1970 estava completamente bagunçado, as árvores e jardins desprezados, as pitorescas pontes e edifícios cobertos com pichações, e estátuas e bancos quebrados, enquanto a falta de segurança afastava os visitantes.

No início da década de 80, um grupo de nova-iorquinos, liderados pela fundadora do centro de Conservação, Elizabeth Barlwo Rogers, empreendeu um plano para recuperar o Central Park do abandono e oferecer um verdadeiro espaço de lazer.

O parque, que diariamente recebe numerosos amantes do esporte, que correm, patinam, jogam tênis e beisebol, é visitado a cada ano por 25 milhões de pessoas que percorrem pelo menos uma parte dos quase cem quilômetros de atalhos e caminhos.

O plano de restauração teve um investimento de 300 milhões de dólares desde 1980, mas o Central Park voltou a ser um referencial na cidade dos arranha-céus e ponto de encontro de todos os nova-iorquinos.