Centrais sindicais protestam contra elevação de juros em SP

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Publicado terça-feira, 20 de outubro de 2015 as 14:18, por: cdb

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

A Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e União Geral do Trabalhadores (UGT) realizaram nesta terça-feira um ato em frente ao prédio do Banco Central, na Avenida Paulista, região central de São Paulo, para protestar contra os juros altos. A manifestação tem se repetido sempre na véspera da reunião em que o Comitê de Política Monetária (Copom) decide a taxa a ser adotada para a Selic nos 45 dias seguintes.

A Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e União Geral do Trabalhadores (UGT) realizaram nesta terça-feira um ato
A Força Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e União Geral do Trabalhadores (UGT) realizaram nesta terça-feira um ato

De acordo com os representantes das centrais sindicais, o protesto tem por objetivo chamar a atenção da população sobre como as altas taxas de juros afetam a sociedade. Além dos discursos, foi inflado na calçada um dragão gigante com três cabeças representando a inflação.

– A taxa de juros está muito alta, inviabilizando a atividade econômica do país, afetando a indústria e refletindo no emprego – disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres. A ideia é tentar sensibilizar o governo para que as taxas de juros não subam mais. “Não temos conseguido, mas não podemos desistir, porque o desemprego está aumentando e isso é muito grave. A proposta é demonstrar para a população o que está acontecendo.”

Presidente nacional da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira ressaltou que o ato é importante porque a situação do país está insuportável devido à política econômica do governo. “Até o oitavo mês, R$ 338 bilhões para o capital financeiro internacional. Pararam de fazer investimento público e agora só se faz superávit primário, faltando dinheiro para outras áreas. Por isso, é necessário lutar para mudar essa situação.”

Segundo o diretor do Sindicato dos Comerciários de São Paulo da UGT, Josimar Andrade, as manifestações pretendem levar para a sociedade o que se trata dentro do gabinete durante a reunião do Copom e traduzir para o cidadão comum os assuntos técnicos que são tratados. “Queremos conscientizar os trabalhadores e mostrar que essa política errada destrói a economia do país e não favorece a criação de uma economia sólida.”

Ministério das Cidades

Integrantes de diversos movimentos sociais do campo ocupam neste momento o prédio do Ministério das Cidades. A ocupação começou por volta das 6h desta terça-feira e os manifestantes prometem permanecer no local até serem recebidos pelo governo.

Na pauta de reivindicações está a retomada das ações do programa Minha Casa Minha Vida – Rural. O déficit de habitações no campo brasileiro, segundo o movimento, passa de 35 mil unidades. Os manifestantes também exigem a ampliação dos repasses para reforma e ampliação da habitação rural.

– São mais de seis movimentos do campo, numa luta unitária reivindicando aquilo que nos é de direito”, disse o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Alexandre Conceição. “Só sairemos daqui com um resultado concreto.

A estimativa de Conceição é de que cerca de 1,5 mil pessoas participaram da ocupação, liderada por movimentos como o próprio MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura e o Movimento Camponês Popular. A Polícia Militar do Distrito Federal não divulgou um número aproximado de ocupantes, uma vez que grande parte deles permanece nas instalações internas do ministério.

Em nota, o Ministério das Cidades diz que, juntamente com o governo federal, não apenas reconhece a legitimidade como  mantém parcerias  com todos os movimentos sociais organizados para avançar na implementação de políticas públicas que garantam o acesso à casa própria, à terra urbanizada e a serviços públicos básicos, como água tratada, esgotamento sanitário, educação e atendimento médico.

De acordo com o texto, desde o  início do programa Minha Casa, Minha Vida, o governo federal já investiu R$ 270 bilhões na construção e contratação de 4,1 milhões de moradias, das quais pelo menos 60 mil unidades por meio de projetos propostos por entidades sociais.

Nas áreas rurais, o programa já contratou quase 167 mil unidades, das quais foram entregues mais de 85 mil. Recentemente, o governo federal garantiu o acesso ao Minha Casa, Minha Vida para assentados da reforma agrária, por meio de portaria interministerial.

A portaria  inclui os agricultores familiares do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, do Programa Cédula da Terra e do Banco da Terra entre os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida Rural.

A terceira fase do programa, que já foi apresentada aos movimentos sociais em reunião pública na Presidência da República, vai ampliar essa parceria  e permitirá atender, nos próximos anos, a quase 15% da população brasileira. “Reafirmamos a  parceria e o diálogo permanente para que, juntos, possamos ampliar essa atuação conjunta e avançar no atendimento da população que mais precisa de investimentos públicos, além de continuar promovendo a inclusão social”, acrescenta a nota.

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, e a equipe técnica do ministério já se reuniram com representantes dos movimentos sociais. Uma nova audiência foi marcada para esta terça-feira.