CCJ adia reunião para tentar acordo sobre demarcação de terras indígenas

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Publicado terça-feira, 13 de março de 2012 as 13:44, por: cdb

Reinaldo FerrignoMolon: a demarcação não envolve novos direitos.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidiu transferir sua reunião de hoje (13) para a próxima semana devido a um impasse sobre a votação da admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00. O texto prevê que o Congresso dê a palavra final sobre a demarcação de terras indígenas e de áreas de conservação ambiental.

Havia um acordo para que a votação da PEC fosse a primeira a ser feita em 2012, mas como alguns integrantes da comissão foram trocados – inclusive o presidente –, o colegiado preferiu adiar a análise da matéria para a próxima terça-feira (20). Nesse período, o governo deve conversar com os defensores da PEC e tentar uma alternativa.

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) reafirmou que o Executivo é contrário à proposta e deve votar pela inconstitucionalidade do texto. “A demarcação é um simples reconhecimento de direitos que a Constituição garantiu aos indígenas. Não há, portanto, necessidade de votação pelo Congresso, uma vez que não envolve novos direitos”, argumentou.

Opinião dos ruralistas
Já os parlamentares ligados ao agronegócio contestam a política atual de demarcação de terras indígenas e reservas ambientais. Para eles, o processo não é transparente e não há direito de defesa dos produtores que estão no local e têm de ser removidos. Hoje, esses procedimentos são executados pelo Poder Executivo, em decisões dos ministérios da Justiça e de Meio Ambiente.

Arquivo/ Leonardo PradoMendes: PEC pode ajudar na solução dos problemas existentes.

Os ruralistas pressionaram para que o relatório sobre a PEC, elaborado pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), fosse votado antes do fim do ano passado na CCJ. Foi preciso um apelo do então líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), para que a votação fosse adiada.

Na opinião do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PSD-RO), a PEC é constitucional e a comissão especial que deve discuti-la (caso a admissibilidade da proposta seja aprovada pela CCJ) pode encontrar uma solução para os problemas existentes. “De repente, a PEC não é o melhor caminho para resolver a questão, porém precisamos rever os procedimentos da Funai, que de uma hora para a outra decide ampliar áreas indígenas, coisa que o STF já decidiu que não é possível”, sustentou.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu aos deputados uma nova regulamentação dos processos de demarcação da Funai, que é subordinada ao ministério. Mendes reconheceu que o ministro está empenhado em debater e enviar propostas, mas alertou que isso ainda não foi feito na prática.

Íntegra da proposta:PEC-215/2000Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Marcelo Oliveira