CCBB apresenta homenagem ao cineasta e fotógrafo Mario Carneiro

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 15 de maio de 2007 as 14:46, por: cdb

O Centro Cultural Banco do Brasil realiza no Rio de Janeiro, uma homenagem a Mario Carneiro, que em julho completará 77 anos. Diretor de fotografia, realizador de um longa (Gordos e Magros) e diversos curtas, montador e roteirista, esse francês de nascimento e brasileiro por opção, é figura importante no cenário cultural brasileiro.
 
A mostra que acontecerá de 15 a 27/05, exibirá grande parte da produção de Carneiro, filmes mais conhecidos, filmes que tiveram poucas exibições e ainda mostrará ao público carioca outras facetas de Carneiro, como a experiência na direção e montagem. A curadoria é assinada por Daniel Caetano.
 
Além da relação de Carneiro com o cinema – fotografou obras emblemáticas do Cinema Novo, esteve ao lado de Glauber Rocha na realização do polêmico Di (documentário que registrou o enterro de Di Cavalcanti e teve sua exibição proibida pela família do pintor), exerceu diferentes funções em uma primeira parceria com Paulo Cesar Saraceni – ele também manteve, ao longo de toda sua vida profissional, estreitos laços com as artes plásticas. Formado em arquitetura, foi aluno de Iberê Camargo e de Johnny Friedlaender, participou – como gravurista – das Bienais de São Paulo, Paris, México e Venezuela (entre 1958 e 1962) e realizou algumas exposições individuais.
 
O interesse de Carneiro – filho de diplomata, embaixador do Brasil, na Unesco – pelo cinema teve início ainda na década de 50, quando ganhou uma câmera Bolex da família e realizou alguns curtas-metragens, em esquema amador. Cosmopolita e com grande parte de sua formação cinéfila originada nas projeções da Cinemateca Francesa, firmou-se como cineasta de relevo ao ser co-diretor, fotógrafo, câmera e montador de Arraial do Cabo, de Paulo César Saraceni, em 1958. Essa é uma das mais importantes e emblemáticas produções do Cinema Novo. Carneiro tornou-se um fotógrafo expoente daquele movimento.
 
A partir de então, fotografou e roteirizou obras clássicas do cinema brasileiro, tendo sido parceiro de Joaquim Pedro de Andrade (em Couro de Gato e Garrincha, por exemplo), Saraceni (Arraial, entre outros), Domingos de Oliveira (Todas as Mulheres do Mundo), Glauber Rocha (Di) e, mais recentemente, de Joel Pizzini (Enigma de Um Dia).
 
A homenagem a Mario Carneiro será composta pela apresentação de cerca de 40 filmes, entre curtas e longas. Parte deles será apresentada em cópia nova, recém restaurada; caso de Arraial do Cabo, A Casa Assassinada e O Engano. Um debate será realizado e se discutirá tanto o papel e a importância do fotógrafo cinematográfico, como o possível diálogo dessa função com as artes plásticas; um catálogo será lançado.