CBF ofereceu 500 mil por mês para Felipão continuar na seleção

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Publicado segunda-feira, 5 de agosto de 2002 as 09:53, por: cdb

Foram 36 dias de dilema. Da festa pela conquista do pentacampeonato mundial em Yokohama até hoje. A indecisão de Luiz Felipe Scolari conseguiu paralisar toda a cúpula do futebol brasileiro. Nenhum outro personagem havia conseguido criar tamanho suspense. Nem mesmo Pelé ao resistir à pressão dos militares durante a ditadura e não disputar a Copa do Mundo de 1974. Dissimulado, o treinador desorientou até pessoas muito próximas a ele e muito mais ao presidente Ricardo Teixeira. A decisão já está tomada e será anunciada hoje em entrevista coletiva na nova sede da entidade na Barra da Tijuca.

O JT apurou que, para preservar sua família de uma desgastante eliminatória para a Copa de 2004 e ainda sair com a imagem de vencedor, Luiz Felipe Scolari quer se despedir no jogo contra o Paraguai, dia 21 em Fortaleza. Ricardo Teixeira vem mantendo intensa pressão sobre o treinador desde sexta-feira. O dirigente não se conforma com a postura do técnico e está tentando convencê-lo a continuar comandando o Brasil de qualquer maneira.

Teixeira quer capitalizar a aprovação popular e a imagem de seriedade que Scolari trouxe para a CBF. E não está medindo esforços para isso. Dos R$ 370 mil mensais que ganhava mensalmente no contrato encerrado após a Copa, o dirigente oferece o maior salário pago no futebol do Brasil: R$ 500 mil por mês. E mais: a entrega do comando de todas as categorias da Seleção Brasileira. Scolari definiria o nome dos treinadores das equipes juvenil e de juniores. O desafio da conquista inédita da medalha olímpica. Teixeira reverteria até o seu desejo de não ver o treinador da Seleção Principal dirigir a Olímpica para tentar escapar do vexame que passou Vanderlei Luxemburgo na Austrália.

Se nada disso fizer Luiz Felipe reverter sua decisão, Teixeira tem um último trunfo. E que não vai se fazer de rogado para usar. Quando o Brasil foi eliminado por Honduras da Copa América, a pressão para demitir o treinador foi imensa dentro da CBF. A esmagadora maioria dos diretores tentou convencer o presidente que Scolari deveria sair. De uma maneira inesperada, Teixeira assumiu sozinho a delicada decisão e resolveu mantê-lo no cargo. O dirigente sabe que o treinador acompanhou toda a situação e acredita que chegou a hora de cobrar o apoio. A expressão correta para o plano é chantagem emocional.

Mas o emocional de Luiz Felipe está todo com a sua família. Ele conversou, viajou e, principalmente, analisou o futuro com sua mulher Olga. Ela tem uma influência sobre o treinador. Quando diz que a contrariou em qualquer decisão é mero folclore. Os dois formam um casal cúmplice. “Estar em sintonia com a minha família é a prioridade para mim. Isso é fundamental e vem antes de dinheiro, fama, qualquer coisa. Eu trabalho e busco a felicidade da minha família”, disse Luiz Felipe ao JT durante a Copa do Mundo já falando sobre o futuro. Ele acompanhou com muita apreensão o sofrimento dos filhos durante os momentos difíceis na Copa América e nas Eliminatórias. Discutiu com torcedores em restaurantes e nos shoppings de Porto Alegre por não ter convocado Romário. E quase foi agredido por populares na saída da sede da CBF também por não ter dado outra chance ao atacante carioca.