CBF não permite virada de mesa

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Publicado quarta-feira, 15 de janeiro de 2003 as 00:21, por: cdb

Mais uma confusão à vista no futebol brasileiro. A exemplo do que acontecera com Sandro Hiroshi, em 1999, o volante Wendell, que disputou o último Campeonato Brasileiro pelo Flamengo, poderá ser o estopim de uma virada de mesa. Se a acusação for confirmada e o regulamento do campeonato seguido, o Flamengo corre o risco de perder 15 pontos – cinco por cada partida que Wendell atuou -, o que rebaixaria o clube carioca.

No entanto, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, descartou esta possibilidade. Segundo o cartola, após análise técnica do contrato de empréstimo do jogador, não há possibilidade de o Flamengo ser punido.

Segundo uma denúncia publicada nessa terça-feira no jornal O Povo, de Fortaleza, seria falsa a assinatura de João Paulo Damasceno, um dos procuradores do jogador, na rescisão do contrato de Wendell com o Ceará. Isto anularia o documento e manteria em vigência o contrato com o clube cearense. Assim, o jogador estaria impossibilitado de assinar contrato com o Flamengo e, conseqüentemente, não poderia ter sido registrado na CBF para o Campeonato Brasileiro.

A denúncia sobre o caso Wendell, no entanto, teria partido do Palmeiras, um dos maiores interessados na punição ao Rubro-negro. De olho no retorno à Primeira Divisão, o Verdão, 23o colocado no Brasileirão 2002, entende ser o herdeiro natural de uma eventual abertura de vaga na elite, e não o terceiro colocado da Segundona de 2002.

Mas, no Ceará, há quem negue que tenha havido irregularidades no caso Wendell: “A assinatura da rescisão é de João Paulo Damasceno e não houve falsificação. Ele tinha uma procuração concedida pelo jogador que lhe dava poderes especiais para, inclusive, assinar rescisão de contrato”, afirmou Emerson Damasceno, advogado do Ceará e primo de João Paulo.

Damasceno explicou que foi feita uma consulta ao chefe do departamento jurídico da Federação Cearense, Mauro Carmélio, que autorizou o procedimento com base em uma Resolução de Diretoria (RDI) da CBF.

“Não há irregularidade alguma. A RDI diz que o advogado poderia atuar como procurador e a procuração dada pelo atleta dá condição a ele de assinar a rescisão”, disse Carmélio em entrevista ao jornal O Povo.

“A rescisão foi reconhecida pela Federação Cearense e, depois, o fato foi comunicado à CBF. Inclusive, o próprio Wendell assinou um documento reconhecendo a medida”, declarou Emerson Damasceno.

Wendell pertencia ao Uniclinic-CE e, no início de 2002, foi negociado com o Ceará. Em dificuldades financeiras, o Ceará vendeu os vínculos federativos do jogador para quatro empresários ligados ao clube. Após as eleições presidenciais, os empresários se desligaram do clube e vincularam novamente a documentação do volante ao Uniclinic, um clube-empresa.

No dia 14 de agosto de 2002, Wendell foi anunciado como reforço do Flamengo para o Campeonato Brasileiro, sem ônus para o clube carioca. Nas entrevistas concedidas a jornais e rádios de Fortaleza, Wendell diz não saber a quem pertencem seus vínculos federativos. O jogador, inclusive, move uma ação na Justiça do Trabalho contra o Ceará, pela qual exige indenização de cerca de R$ 36 milhões.