CBA quer punir piloto que denunciou irregularidades

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Publicado quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 as 10:59, por: cdb

A Vicar, organizadora da Stock Car, e a Confederação Brasileira de Automobilismo resolveram enquadrar o piloto Renato Russo, que no ano passado se envolveu no acidente que matou Rafael Sperafico durante a última etapa da Stock Light, em Interlagos.

Em entrevista, Russo fez denúncias sobre o amadorismo da categoria e acusou pilotos de beber e usar drogas antes das provas.

As declarações foram questionadas pela Vicar, organizadora do campeonato, e fizeram com que a CBA encaminhasse o caso à Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da entidade.

Russo pode até ser proibido de competir neste ano, já que há um artigo no regulamento desportivo da Stock Car que prevê punição e multa a quem “ofenda ou deixe dúvidas quanto ao comportamento ou posicionamento de outros pilotos, equipes, direção da prova ou comissários da prova”.

Nesta quarta-feira, no entanto, o piloto abrandou seu discurso. “Fui mal interpretado”, disse ele, que ficou quase dois meses internado e teve alta na segunda.

– O que eu queria era dizer que o exame antidoping deveria ser obrigatório em todas as categorias do automobilismo porque existem pilotos que fumam, bebem e cheiram durante a semana. Não necessariamente na Stock Car ou na Stock Light, falou Russo. 

– Fiquei surpreso e não sei o que levou o Renato a fazer tais declarações, disse Carlos Col, presidente da Vicar.

– Muitos pilotos ficaram indignados, e ele lançou uma suspeita generalizada que pode gerar conseqüências, completou.

Russo justificou suas palavras dizendo que após o acidente em Interlagos passou a ver as coisas de maneira diferente.

–Antes eu não usava camiseta, calça e meia antichama. Ontem gastei R$ 1.130,00 em roupas para mim e meu companheiro de equipe Cristiano Federico, porque eu poderia não estar aqui se o tanque do meu carro tivesse explodido, declarou Russo, que disse ainda nunca ter visto a CBA vistoriar os uniformes dos pilotos.

–Eles só se preocupam em ver se o bordado está no lugar certo, completou.


Segundo Nestor Valduga, presidente do Conselho Técnico Desportivo da confederação, existem inspeções regulares.