Casal recorre da sentença que o impede de salvar seu filho doente

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 16:52, por: cdb

Um casal apelará da sentença judicial que os proibiu de fazer uma fecundação “in vitro”, através da qual queriam “conceber” um menino que servisse como doador de medula para salvar seu filho gravemente doente.

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira, em uma entrevista coletiva do casal, Raj e Shahana Hashmi, junto às autoridades de Controle da Embrilogia e Fertilização Humana (HFEA) do Reino Unido, com o apoio da Associação Médica Britânica (BMA).

O casal, que reside em Leeds (norte da Inglaterra), quer que a esposa seja submetida a um processo pioneiro de fecundação, possibilitando a concepção de um bebê criado geneticamente para ter uma medula compatível com a de seu filho, Zain, de quatro anos.

Zain tem talassemia, um doença mortal que provoca uma estranha alteração da hemoglobina e torna necessário um transplante urgente de medula.

Os Hashmi procuraram um doador para seu filho desesperadamente, mas não encontraram nenhum que fosse compatível.

“Zain tem direito de viver. Todo o sofrimento que ele passa pode ser curado através da ciência médica, e nós vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para assegurar seu direito à vida”, afirmou nesta Shahana Hashmi, mãe da menino.

Em dezembro de 2002, o Tribunal Superior de Londres decidiu que a HFEA não tinha poder suficiente para autorizar a aplicação desta nova técnica, de acordo com a legislação do Reino Unido.

Zain é mantido vivo através de transfusões de sangue e de remédios, administrados durante doze horas seguidas cinco vezes por semana, com o objetivo de manter baixo seu nível de ferro.

A mãe de Zain afirmou nesta segunda-feira que o menino entende o que está acontecendo, e que ele diz que seus pais vão ao tribunal para conter “os maus” que impedem sua cura.

A sentença do Tribunal de Apelações britânico, que deve ser divulgada no próximo outono, poderia afetar muitas outras famílias.

Segundo Simon Fishel, o médico que trata do menino no hospital de Nottingham (centro da Inglaterra), só em sua clínica há pelo menos meia dúzia de famílias na mesma situação.

O doutor Fishel considerou “desumano” ter que pedir uma revisão judicial, já que a sociedade apóia este processo.

Por sua vez, Josephine Quintavalle, porta-voz da associação Comentários sobre a Ética na Reprodução (Core), demonstrou sua “compaixão” por Zain e por qualquer outra menino que sofra da mesma doença, mas criticou o caminho escolhido pelos Hashmi.

“Esperamos que, em breve, haja uma solução ética para tratamentos deste tipo…, mas ter outro filho como uma cômoda receita, como um banco de tecidos, não é uma cura ética. Por favor, pensemos por um momento nos direitos desse pequeno bebê”, afirmou Quintaville.

A Companhia Médica Cristã também se uniu nesta segunda-feira à Core. Seu secretário-geral, Peter Saunders, disse que “todos os pais entenderiam as tentativas dos Hashmi de fazer o possível para salvar seu filho”.

“Mas não é certo que a BMA e a HFEA estejam apoiando e fazendo pressão em um caso, que poderia ter como resultado um bebê “projetado”, sem atender a um adequado debate parlamentar”, acrescentou.