Casal que agrediu filhos depõe em Campinas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003 as 09:12, por: cdb

Os músicos Alexandre Alvarenga, 31, e Sara Maria Rosolen Alvarenga, 32, acusados de tentarem matar os filhos, de 1 e de 6 anos, em Campinas (95 km a noroeste de São Paulo) disseram nesta quarta-feira à Justiça que não se lembram das agressões. O casal está preso desde o início do mês.

“O que eu posso falar? Todo mundo já julgou a gente aí fora, não tem o que falar”, disse Alvarenga ao juiz da Vara do Júri de Campinas, Maurício Guimarães, durante a primeira audiência sobre o caso.

Os advogados do casal, denunciado pelo Ministério Público por dupla tentativa de homicídio, defendem que Alvarenga e Sara sofreram um surto psicótico no momento das agressões.

O depoimento de Alvarenga foi acompanhado pelo psiquiatra Tércio Tosta, levado para a audiência pelo advogado de defesa dele, Luiz Henrique Cirilo.

O juiz responsável pelo caso deve decidir até sexta-feira se o exame será feito. Se ele conceder o pedido, o processo sobre o caso será suspenso por 45 dias, sendo retomado após a divulgação do resultado da análise.

Alvarenga e Sara chegaram ao fórum de Campinas por volta das 14h, sob escolta policial. Os depoimentos, rápidos, terminaram por volta das 16h30. O casal foi ouvido separadamente.

Na audiência, Alvarenga afirmou que a mãe e a irmã dele sofrem de problemas psíquicos. A afirmação, segundo o psiquiatra da defesa, mostra que ele tem predisposição para sofrer um surto psicótico.

Sara disse que só ficou sabendo das agressões contra seus filhos quando foi levada para a cadeia, uma semana após o fato. Ela disse que apenas se lembra de Alvarenga ter batido o carro e de ter saído correndo. Sara teria o acompanhado e entregue o bebê a ele, pelo fato da criança estar muito pesada. Depois desse episódio, ela alega não se lembrar de mais nada.

Segundo o promotor Marcos Tadeu Rioli, que acusa o casal de dupla tentativa de homicídio contra os filhos, os depoimentos não acrescentaram nada ao processo.

“Eles não falaram nada. Não sei se havia uma tática para mostrar alguma insanidade. Mas, de qualquer forma, não vi nenhuma anormalidade neles”, afirmou.

Segundo testemunhas, Alvarenga desceu de seu carro e arremessou o bebê de 1 ano, que estava no colo da mulher, contra uma Blazer em movimento. A criança atravessou a janela do veículo e bateu contra o peito do motorista. Sofreu traumatismo craniano e ficou internada entre os dias 2 e 18, quando teve alta e foi entregue aos avós maternos. Com limitação dos movimentos do lado direito do corpo, ele passa por fisioterapia.

A outra filha do casal também foi agredida. Ainda de acordo com as testemunhas, Alvarenga bateu várias vezes a cabeça da menina contra uma árvore de um bosque na região. Ela sofreu ferimentos leves.

As duas crianças estão sob cuidados dos avós maternos.

Alvarenga é acusado de ser o autor das agressões. Sara, embora não tivesse agredido as crianças, teria consentido com a atitude do marido.

A denúncia do Ministério Público foi feita após a divulgação de um laudo pelo Hospital Celso Pierro, de Campinas, que, segundo o promotor Marcos Tadeu Rioli, relata a descoberta de vestígios de cocaína no organismo dos acusados. O exame não determina se o uso da droga ocorreu no dia das agressões ou em outra data.

No interrogatório desta quarta-feira, eles negaram o uso de drogas.