Casal é vítima de seqüestro relâmpago em Belo Horizonte

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 01:30, por: cdb

M.F.S, 17 anos, e E.T.S, 28 anos, passaram seis horas de terror durante um seqüestro-relâmpago, na última quarta-feira, em Belo Horizonte.
 
Na madrugada, a polícia conseguiu prender quatro dos seqüestradores, entre eles, duas mulheres, sendo uma delas menor. Apesar de garantir que as ocorrências desse tipo vêm diminuindo na capital, a Polícia Militar não apresentou estatísticas completas que comprovem tal redução.
 
O capitão Edilan Arruda de Abreu, assessor de comunicação da PM, informou apenas que, no ano passado, a média de seqüestros-relâmpagos foi de 13 a 15 por mês, e que este ano caiu para 11.
 
Abreu atribui essa queda à intensificação das operações policiais em grandes corredores da capital.
 
– Por causa de pressa, muitos questionam a legalidade das operações e não entendem a importância até serem vítimas. Esse crime preocupa muito porque causa um grande trauma na vítima. A tortura mental é muito grande – disse, acrescentando que a polícia não tem um perfil dos bandidos que praticam tal crime.
 
No seqüestro, o casal foi abordado por dois homens armados, no Bairro Heliópolis, Região Norte, por volta das 19h30. Os seqüestradores fizeram E. passar para o banco de trás de seu Vectra e tomaram a direção do carro, com M. no banco do passageiro. Eles seguiram alguns quarteirões, colocaram E. no porta-malas e outras duas pessoas entraram no carro.
 
– Eles falaram que iam para o Bairro São Paulo para matar uma pessoa. Fiquei muito nervosa e comecei a chorar. Então, mandaram eu baixar a cabeça – contou M.
 
Como não encontraram o desafeto, seguiram para um barracão na Vila São Bernardo, também na Região Norte.
 
– Lá havia outras meninas, que mandaram eu tirar a roupa, puxaram meu cabelo, tomaram minhas pulseiras e anéis, ficavam me mostrando o revólver, me deram muitos tapas e coronhadas, jogaram fumaça na minha cara, disseram que estavam com muita raiva e que iriam me matar – disse M.

– O tempo todo bateram no E. Queriam saber a senha do banco, tentaram entrar em contato com a família dele e ficavam perguntando se alguém da família tinha dinheiro – acrescentou a garota.
 
Como não tiveram sucesso, os seqüestradores resolveram libertar o casal depois de pegar celulares, cartões de banco, óculos e roupas.
 
– Eles disseram que iam soltar a gente, mas que se contássemos alguma coisa, alguns poderiam ser presos mas outros ficariam soltos para correr atrás. Quando pedi a minha roupa, eles disseram que eu estava pegando o boi de estar ficando viva – contou M.
 
E. foi abandonado na Região de Santa Luzia e M. próximo à Estação 1º de Maio. Pouco depois, por volta das 2 horas, uma equipe da Guarnição de Operações Especiais (GOE), da PM, interceptou o Vectra com os quatro acusados de seqüestro.
 
– Fizemos a abordagem, eles pararam e saíram correndo. Fizemos um cerco e conseguimos prender dois – Eduardo de Oliveira, 30 anos, e Fábio Júnior Ribeiro de Paula, 21 anos – disse o cabo Luiz Mário Alves. Por volta das 5 horas, uma equipe da polícia civil conseguiu prender mais duas mulheres – Conceição Ribeiro da Silva, 22 anos, e I.E.R, 16 anos.
 
Todos foram ouvidos pelo delegado Wanderson Gomes da Silva e ficaram detidos à disposição da Justiça. O crime será investigado na Divisão de Crimes contra o Patrimônio. Eles responderão por roubo qualificado, com o agravante de terem privado a vítima de liberdade.