Casa noturna de Barcelona instala chip em clientes VIP

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Publicado quinta-feira, 30 de setembro de 2004 as 14:45, por: cdb

Imagine ter uma cápsula medindo 1,3 milímetros por 1 milímetro – cerca do tamanho de um grão de arroz – injetado dentro de sua pele.

A idéia de ter um microchip próprio, implantado no meu corpo, me atraía. Eu sempre gostei de novidades, então pensei, “por que não?”.

Instalar microchips que emitem Identificação de Frequências de Rádio (IFR) é comum para animais. Alguns países, inclusive, cogitam tornar a medida compulsória para donos de animais de estimação.

Na semana passada fui à glamourosa cidade espanhola de Barcelona, entrar no exclusivíssimo clube noturno Baja Beach.

Cirurgia

A casa oferece aos seus clientes VIP a oportunidade de injetarem o chip, com seringas, em seus braços.

O chip não só lhes dá acesso a áreas VIP da casa, mas também funciona como um cartão de débito para que os membros possam pagar suas contas.

Isso é algo bastante útil para uma casa notuna localizada na praia, onde biquínis e calções são comuns e carregar bolsas ou carteiras, uma tarefa nada prática.

Eu conversei com o dono do clube, Conrad Chase, que teve a idéia enquanto tentava desenvolver o mais vanguardista dos cartões de sócio para os membros do clube. Ele foi a primeira pessoa a utilizar a cápsula, fabricada pela VeriChip Cororation.

Laila

Com um documento legal nas mãos, Conrad pediu para que eu confirmasse que, se quisesse o chip removido, isso seria minha responsabilidade.

Quatro aspirantes a membros VIP sentavam, tranqüilamente, saboreando suas bebidas enquanto a enfermeira Laila preparava o equipamento cirúrgico.

Com fosse cena de um filme de ficção científica, luvas de látex e seringas foram depositadas na mesa enquanto o DJ tocava faixas dance, tão altas que faziam meu coração pular. Ou seria apenas medo?

Várias perguntas passavam pela minha cabeça. Vai doer? Quais são os riscos? E se eu não quiser mais isso?

Achei melhor pedir outro drinque.

Injeção

Laila começou desinfetando a parte superior do meu braço, antes de aplicar um analgésico local para amortecer a área onde o chip seria implantado.

Com uma grande seringa na mão, ela testou o local, o que me fez hesitar. Ela aplicou outra dose de anestésico.

Com meu braço amortecido, Laila inseriu o microchip entre a minha pele e a camada de gordura do meu braço.

Ela pressionou a seringa e ali estava: meus dez dígitos instalados seguramente no meu corpo.

Dor?

O chip é feito de vidro e não oferece risco de reagir dentro do corpo.

Ele emite freqüencias de rádo tão baixas que não interferem no sistema de segurança de aeroportos.

O chip responde a um sinal quando o scanner é passado próximo a ele e transmite o número de identificação.

O número é ligado a um banco de dados que se comunica com os dados da casa noturna, que então cobra os clientes.

Se eu quiser deixar o clube, basta ter ele removido cirurgicamente, um processo muito simples, semelhante ao de instalá-lo.

Sobre a questão da dor, ter o chip instalado foi muito fácil, totalmente indolor.

O que doeu mesmo foi a minha cabeça, no dia seguinte, após uma noite inteira passada em um bar na praia.