Carro bomba mata 82 pessoas e deixa mais de 200 feridos

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 12:42, por: cdb

A explosão de um carro bomba causou a morte de pelo menos 82 pessoas e deixou 229 feridos em frente ao mausoléu de Ali na cidade santa de Najaf, informam os hospitais locais. Entre os mortos está o aiatolá Mohammad Baqr al Hakim, chefe da Assembléia Suprema da Revolução Islâmica no Iraque (Asrii). 

A mesquita de Ali é um dos principais lugares santos dos xiitas.Antes da oração, centenas de pessoas manifestavam seu apoio a um alto dirigente religioso xiita do Iraque, Mohammad Said Hakim, irmão do aiatolá morto, em frente à sua casa, onde um atentado matou três pessoas no dia 24 de agosto.

– Mohammad Baqr al Hakim, que passou 23 anos exilado no Irã antes de voltar para o Iraque, teve o destino dos mártires, assim como seus guarda-costas – disse Mohsen Hakim, conselheiro político de Abdel Aziz Hakim, membro do Conselho de Governo iraquiano, na sede em Teerã da Asrii, principal organização xiita iraquiana.

Mohsen Hakim, que é sobrinho do clérigo morto e chorava ao dar a notícia, não deu mais detalhes sobre a morte do aiatolá.

O aiatolá Mohamed Baqr Al-Hakim era um veterano da luta contra o regime de Saddam Hussein e considerado o “Khomeini iraquiano”. Ao retornar para o Iraque em maio passado, depois de 23 anos de exílio no Irã, ele rejeitou esta imagem e se definiu como um “simples soldado da revolução islâmica”.

Líder da Asrii, organização de xiitas iraquianos com sede em Teerã, o religioso de 64 anos, que sempre usava um turbante negro, como sinal de que era um descendente do profeta, defendia uma posição moderada.

Al-Hakim desejava uma saída rápida dos invasores americanos, mas estava disposto a colaborar com a coalizão que comanda o Iraque no momento. Seu irmão, Abdel Aziz Al-Hakim, integra o Conselho de Governo iraquiano.

Filho do famoso aiatolá Muhsin Al-Hakim, líder espiritual do mundo xiita entre 1955 e 1970, ele havia se refugiado no Irã em 1980, quando o aiatolá Mohammad Baqr al-Sadr, de quem era amigo, foi assassinado pelo regime do partido Baath. Opositor do regime de Saddam Hussein, ele havia sido detido duas vezes na década de 70.

Em 1983, a polícia iraquiana prendeu 125 membros de sua família e assassinou 29. Em 1988, seu irmão Seyed Mahdi Al-Hakim morreu no Sudão nas mãos de agentes do regime iraquiano. Sua família afirmava, um mês depois da queda do regime de Saddam Hussein, que outras 18 pessoas do clã também caíram como mártires.

– Seis irmãos do aiatolá Al-Hakim foram executados pelo regime iraquiano, um sétimo morreu num acidente de carro e um oitavo morreu depois de ter sido liberado pela polícia – declarou Mohse Al-Hakim, seu sobrinho.

O aiatolá Al-Hakim, homem alto e magro, com barba branca, já havia escapado de sete atentados nos últimos 23 anos. Sua proteção havia sido intensificada depois da guerra. Em dezembro de 1982, ele participou da fundação da Asrii, principal organização de oposição xiita a Sadam Hussein, da qual assumiu a liderança em 1984.

Quase simultaneamente, a Asrii criou um braço armado, a brigada Badr, que também era comandada pelo aiatolá Al-Hakim. Os Estados Unidos acusavam o grupo de ser utilizado por Teerã para prejudicar o trabalho dos americanos no Iraque.

Apesar de sua intensa atividade política, o aiatolá nunca abandonou a teologia e escreveu pelo menos 40 livros.