Carnaval leva multidão às ruas de Salvador

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Publicado sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003 as 17:38, por: cdb

Mais de 1 milhão de pessoas espremidas diariamente atrás de 150 blocos e trios, num frenesi que só pára na manhã da Quarta-Feira de Cinzas. A fórmula não muda muito: de um lado, sofisticados trios elétricos; do outro, blocos afro, que privilegiam o batuque. Mas consolidou o carnaval de Salvador como o que mais cresce no País.

Somente a magia da folia pode explicar como milhares de jovens seguem desfiles de cinco a oito horas no calor do meio-dia do verão baiano, próximos dos trios, cujo som pode alcançar picos de 120 decibéis, o dobro do suportável pelo ser humano, segundo os médicos. Um dos inventores do trio elétrico, Osmar Macedo, morreu praticamente surdo em razão de anos de shows. “É uma loucura, a gente é levado pela música”, diz a estudante Jamile Amaral, de 18 anos.

A movimentação de dinheiro em Salvador durante o carnaval é estimada em quase R$ 300 milhões pela empresa de turismo da prefeitura. Cerca de 135 mil pessoas conseguem algum tipo de trabalho relacionado à folia, do gerente do hotel mais luxuoso da cidade ao vendedor de picolé.

Cerveja

Esse burburinho tem atraído muitos patrocinadores, principalmente cervejarias, de olho no quarto mercado do País, com 4,8 milhões de litros consumidos por ano. Nos picos do verão e do carnaval, as vendas crescem 35%. A participação ocorre através do patrocínio de blocos, ensaios, cerimônias de lavagem de escadarias e camarotes. Só a Brahma está bancando 11 blocos e 3 camarotes.

Outra disputa é entre companhias telefônicas. A pioneira foi a TIM Maxitel, em 1998. A Oi este ano padronizou sua marca em 77 sombreiros de baianas de acarajé e participa de camarotes.

A concorrente TIM adquiriu uma das cotas master de R$ 350 mil para fazer publicidade nos circuitos da festa, banca blocos e está patrocinando o Camarote Andante, inovação criada por Carlinhos Brown. Além disso, lançou em fevereiro uma promoção: quem comprar na Bahia um celular da empresa concorre, por uma raspadinha, no sorteio de 2 mil convites para o camarote de Brown.

Segundo o gerente de Geo-Marketing e Oferta de Varejo, Paulo Roberto Souza, a TIM esperava um aumento de vendas de 15% com a raspadinha. Mas deve alcançar 30%.

Nessa briga por visibilidade das marcas, atrair vips vale ouro. Nos últimos anos eles têm se concentrado no circuito Dodô, na orla entre os bairros da Barra e Ondina, onde estão os camarotes de Daniela Mercury e o de Gilberto Gil. É lá que ocorre o encerramento do carnaval baiano, na madrugada da Quarta-feira de Cinzas, com o encontro dos trios e o Arrastão da Timbalada de Brown.

Mas o tradicional desfile do circuito Osmar, no centro, entre as Praças do Campo Grande e Castro Alves, mantém seu encanto. Fora trios potentes como o Chiclete com Banana, as atrações são os blocos afro animados por tambores e muita coreografia. Pelo circuito Batatinha, entre a Castro Alves e a Praça de Sé, na direção do centro histórico, além de blocos afro, circulam grupos de foliões travestidos.

Uma excelente opção para quem não gosta muito do barulho excessivo dos trios é a festa do Pelourinho, que lembra os carnavais de Olinda. Só bandinhas e pequenos blocos animam os foliões em meio ao casario colonial. O acesso é bem mais fácil que os dos outros circuitos e a quantidade de bons restaurantes, uma atração à parte.