Carlos Lupi confirma negociação de mandato

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Publicado terça-feira, 2 de dezembro de 2003 as 17:28, por: cdb

O primeiro suplente do senador Roberto Saturnino Braga (PT-RJ), Carlos Lupi, afirmou nesta terça-feira aos membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que Saturnino assinou um acordo com ele se comprometendo a dividir o mandato de oito anos caso saísse vitorioso nas eleições de 1998 para o Senado.

Pela negociação, explicou, metade do mandato caberia ao PSB, partido de Saturnino à época, e a outra metade ao PDT, partido de Lupi, que fez um relato do episódio e disse que a idéia de partição do mandato foi do próprio senador Roberto Saturnino, a quem conhece há mais de 22 anos.

— A palavra e a honra devem valer muito. Se houve queda da ética ela não foi minha, por ter aceito esse acordo, pois nunca procurei o senador Saturnino para pedir nada. Eu não prometi o que eu não tinha. Não vendi, não negociei e não participei de nenhuma negociação para poder levar meu nome como suplente. A retidão é uma regra em minha vida — declarou Lupi, que acusa o senador eleito de não cumprir o que foi acertado em composição política porque ele (Saturnino) passou para o PT.

Em resposta ao relator do caso no conselho, senador João Alberto (PMDB-MA), que indagou se Lupi tinha provas, o pedetista disse que Saturnino assinou uma ata do PSB e uma carta ao presidente do PDT, Leonel Brizola, dando anuência ao acordo. Disse também que a negociação foi noticiada em jornais da época. Ele entregou cópia da carta, de 6 de junho de 1998, ao senador João Alberto.

Lupi admitiu, respondendo ao senador Juvêncio da Fonseca (PDT-MS), que o motivo pelo qual aceitou a proposta foi a possibilidade de assumir quatro anos como senador.

— Não vamos fazer da política uma hipocrisia. Claro que sim, mas foi ele (Saturnino) quem propôs que a divisão do mandato seria a coisa mais equilibrada para se ganhar as eleições e eu aceitei — disse o pedetista, negando novamente que sua atitude tenha sido antiética.

Para o senador Demostenes Torres (PFL-GO), a questão poderia ser caracterizada, em termos jurídicos, como “torpeza bilateral” dos envolvidos. Já o corregedor, senador Romeu Tuma (PFL-SP), concordou com a idéia de que a questão é ética e afirmou que, apesar de a maioria dos senadores confiar na conduta ética de Saturnino, o episódio precisa ser apurado.

Lupi contestou ainda a versão de Saturnino de que teria assinado os documentos por coação.

— Como isso poderia acontecer, se houve acordo entre cinco partidos (PDT, PT, PC do B, PCB e PSB) e mais de 700 convencionais participaram da composição da chapa? — indagou Carlos Lupi.

A segunda suplente de Saturnino, Yara Vargas, que estava sendo esperada para depor neste mesmo dia, não compareceu mas enviou uma carta em que reconhece a existência do acordo.